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05 fevereiro, 2008

Super terça-feira

Paul Gasol estreia-se hoje com a camisola dos Lakers. Com a chegada da vedeta espanhola à Califórnia, está oficialmente reaberta a mais famosa rivalidade da NBA. Os Lakers contra os Celtics, agora em gloriosa alta definição e pay per view. Passaram vinte anos desde que Larry Bird, Magic Johnson e Kareem Abdul- Jabbar tornaram a liga americana de basquetebol num jogo global. De lá para cá, europeus e argentinos não pararam de evoluir, de tal forma que é a chegada de um dos melhores jogadores europeus que se arrisca a tornar os Lakers na mais formidável equipa da sua geração. Bolas, parece que ainda não é desta vez que os Suns ganham. E o Steve Nash já vai nos 34 anos...

01 fevereiro, 2008

05 janeiro, 2008

GPS killed the Dakar star

De repetente, e depois do cancelamento da edição deste ano, parece que metade do país acordou preocupado com o futuro do Dakar. Têm andado distraídos. O Dakar já estava morto há muitos anos e foi o GPS que acabou com ele. No dia em que as diferenças nas etapas de centenas de quilómetros no deserto deixaram de se medir em horas e em dezenas de minutos para passarem a ser decididas ao segundo, o Dakar foi perdendo interesse e seguidores. Perdeu a aura de aventura e de teste à resistência do indivíduo, já para não falar na incerteza competitiva até à etapa de consagração nas praias do Senegal. Passou a ser um rally. No deserto, é certo, mas até isso passa a ser secundário quando uma máquina nos aponta o caminho com a mesma precisão e certeza com que o faz nas ruas de Londres ou Berlim. Tornou-se uma prova igual a tantas outras e, portanto, periférica. Não foi por acaso que foi caindo aos trambolhões de Paris, Barcelona até chegar a Lisboa (que nem aparece no nome da prova...) e aos bolsos abertos do nosso governo e Santa Casa da Misericórdia.

21 outubro, 2007

"Luigi segue solo le Ferrari"


Terminou há poucos minutos a telenovela mexicana em que se tornou o campeonato do mundo de Fórmula. Fiel ao guião mais tradicional, o final foi feliz e superou as melhores expectativas da audiência. Depois de uma época marcada pela espionagem industrial e pelo feitio insuportável, e nulo espírito desportivo, dos pilotos da McLaren, Raikkonen tornou-se um vencedor tão justo quanto inesperado. A esta hora, o patrão da McLaren deve estar a pensar como é que permitiu que Alonso, com quem não troca uma palavra há meses e que chantageou toda a equipa, tenha continuado a sua luta privada com o seu colega de equipa, entregando de bandeja o título mundial à Ferrari. Melhor assim, Luigi segue solo le Ferrari.

20 setembro, 2007

O dilema de Mourinho

José Mourinho abandonou o Chelsea. A primeira reacção é pensar que a Federação Portuguesa pode ter aqui a oportunidade de ouro para resolver o “caso” Scolari pela porta grande. Na semana passada, o Guardian recordava que, face às exibições e resultados da selecção inglesa, a contratação de Scolari ainda estava na agenda da federação britânica. Não deve ser esse o destino, por agora. Para quem está no primeiro plano do futebol mundial, o cargo de seleccionador representa sempre uma despromoção. É uma espécie de prémio pela carreira.

Mourinho obteve em poucos anos uma fama e reputação que Alex Ferguson, por exemplo, demorou décadas a obter. Mourinho vai querer provar que continua a ser ele o Special One. O problema é que, nos dias que correm, os clubes de topo mundial, e que gastam para cima de cem milhões de euros só em salários às suas vedetas, exigem espectáculo. Capello ganhou o título que o Real Madrid perseguia há 4 anos e foi despedido. O futebol era feio, calculista e não encantava as bancadas. Abramovich, farto de esperar pela Liga dos Campeões, começou a cobrar ao mediático treinador um futebol mais condizente no estilo com os números de zeros nos cheques dos seus jogadores. Vencer não chega, é preciso encantar a multidão global. John Terry bem pode ser um defesa quase intransponível e Lampard um dos melhores centro campistas da sua geração, mas não vendem um décimo das camisolas de jogadores como Ronaldo, Ronaldinho e Messi. São atletas como estes, que levantam os estádios com os seus prodígios técnicos, que os jovens admiram e querem ter o nome estampado nas costas. A exigência, não tem nada a ver com a reclamação de um futebol “de esquerda”, como chamava Valdano ao futebol atacante e atraente. É o peso do dinheiro que o exige, como se queixa Platini em carta enviada aos principais responsáveis políticos europeus.

Infelizmente, para Mourinho, as suas equipas são sempre fieis à sua imagem de marca. Concentração total, um futebol competente e eficiente, mas onde as preocupações estéticas ficam de fora das conversas no balneário. Seja com uma equipa que ganhou tudo com as “vedetas” da União de Leiria e os excomungados do Benfica, ou com os multimilionários de Londres, o esquema é sempre o mesmo. A vedeta é Mourinho, sempre Mourinho, só Mourinho. Foi assim que ganhou, e é assim que sabe ganhar. Em fórmula que ganha não se mexe, estará neste momento a pensar o que é, provavelmente, o mais famoso treinador mundial. O problema, para ele, é que no futebol de hoje, essa fórmula já não chega. Não basta ganhar, é preciso vencer, convencer e facturar muitos milhões com isso. A excepção à regra é a Itália. Deverá ser esse o seu destino.

13 setembro, 2007

Se é para dar porrada


e atirar poeira para os olhos, já temos o Avelino Ferreira Torres.

12 setembro, 2007

Vergonhoso

Miguel Barreira/AP
Como se já não bastasse a justíssima fama de arruaceiros que têm os jogadores da selecção nacional de futebol, agora também temos um treinador que agride, ao soco, os adversários. Vergonhoso não é empatar. Da forma como a equipa está a jogar, até foi uma sorte. Vergonhoso é não aceitar a mediocridade, e falta de ambição, do futebol praticado e implicar com o primeiro jogador que se encontra pela frente. Daqui a uns minutos deve ser a conferência de imprensa. Ou muito me engano ou ainda vai sobrar para o árbitro.

Actualização: Não há nada mais previsível que o futebol português. Sete minutos depois de escrever, lá apareceu o Scolari a criticar o árbitro pelo resultado."É muito sábio esse árbitro", ou "devem chamar a atenção ao Platini" sobre a arbitragem, foram apenas algumas das pérolas ouvidas. A agressão, claro, também foi culpa do homem do apito. "O jogador que diga se lhe toquei num único cabelinho", desafiou. Mas não é muito redutor culpar a arbitragem, pergunta o jornalista? "Não, não, a culpa é minha", resmunga, visivelmente desagradado com a perguntas, e vira as costas.

08 setembro, 2007

Não tínhamos saudades disto

A naturalidade, e a falta de ambição, com que se foram encarando sucessivos empates com equipas menores deu nisto. Não foi hoje que as coisas correram mal, mas quando o treinador foi justificando embaraçosos empates dizendo que os adversários "correram muito". Foi aí que arrastámos, sem nenhuma razão, o apuramento para os resultados dos últimos jogos. Agora, uma selecção nacional marcada pelas lesões no eixo da defesa, e pela má forma do início de época de muitos jogadores, ficou à mercê de um ressalto num jogo menos feliz para voltarmos às contas a que já não estávamos habituados. Não havia necessidade.

03 setembro, 2007

O Murdoch de Penafiel

PS: A ver também o trabalho de André Levy no Jangada de Pedra (saravá Samir!).

08 agosto, 2007

Momentos anti-climax em tempo real: usando o Record como janela

Real Madrid-Belenenses
Minuto a Minuto, Jogada a Jogada.

Min 2: As equipas encaixam mutuamente com calma, sem grandes esforços, em ritmo de pré-época, mas já com mais precisão táctica.

Min 13:
Sinal mais inicial do Belém, mas o detentor de La Liga a equilibrar as operações: a diferença de valores individuais, dentro e fora de campo, é, afinal, conhecida...

Intervenção do leitor Pedro Azevedo por volta do Min. 25:
com todo o repeito pelo sempre HISTÓRICO BELENENSES este dito Real Madrid só nos consegue mesmo é suspreender PELA NEGATIVA quando em termos de orçamento deve de "gastar" só nas botas (se é que as paga ÓBVIAMENTE!!!) o MESMO que o Belenenses têm para todas as despesas a época TODA!!!!!!

Min 30: Grande jogada de Mendonça na direita, sentando o campeão do Mundo Cannavaro e obrigando com remate cruzado Casillas a atrapalhar-se: melhor ocasião de golo do jogo!

Intervenção do leitor João Ribeiro por volta do final da primeira parte:
Vamos, azuis do Restelo. Portugal está convosco! Boa sorte.


Intervenção do leitor Diogo Pedro ao intervalo:
sao 11 contra 11 o real eh uma equipa a fazer, novos jogadores, o belenenses ja ta feita. sao 11 contra 11, os orçamentos n interessam pa nada deixem se de desculpas. mas quer me parecer q o real so n marcou ainda por azar.

Min 47:
O Real pressiona de início, mas a defesa azul aguenta-se bem ao balanço

Min 77: O gigante Real não consegue ultrapassar a resistência do David de Belém, que não enjeita atacar...


Min 90 - GOLO DO REAL POR RAÚL. Robinho remata fraco e cruzado da esquerda, Marco parece segurar mas a bola passa-lhe por baixo a vai para a baliza; Raúl só toca a confirmar um golo injusto para o excelente jogo dos azuis...

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21:57 - FIM DA PARTIDA.
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Intervenção do leitor Miguel Pereira no pós-jogo:
Da forma como o Belenenses se bateu, acho que não merecia este resultado. O guarda-redes foi muito mal batido, mas isso só acontece a quem joga. E que banho de humildade deu o Belenenses!!


Tudo comme il faut. Do futebolês aos mitos fundadores. Primeiro, as equipas encaixam mutuamente, mas há um "sinal mais do Belém" apesar da dimensão estratosférica do oponente. Imaginem o que "devem de gastar". Das bancadas ouve-se que nem as próprias botas pagam. Só falta o grito: "chulos". A metáfora fácil de David vs. Golias está sempre lá: ele senta o campeão do Mundo e obriga o outro a atrapalhar-se. Onde joga um Português, joga a nação: "Portugal está convosco". Alguém objecta: São 11 contra 11, "os orçamentos n interessam pa nada deixem se de desculpas ". Pobrezinho e asseadinho, mas honrado. Honrado sim, "aguenta-se bem ao balanço" e "não enjeita atacar", esse "David de Belém". E no final esse desfecho injusto: aos 90 minutos "Marco parece segurar mas a bola passa-lhe por baixo e vai para a baliza". É o fado, é o fado. Que honrado é este "banho de humildade". E fica a vitória moral e o culto de um David, na versão Portuguesa, sempre perdedor: "Só acontece a quem joga." Foi uma honra.

Adenda pós-pós jogo: "
Estamos muito moralizados por entrarmos na Europa com o pé direito", são as declarações pós-jogo do Presidente Cabral Ferreira à Renascença. Todo o frenezim da derrota passa agora para o Blog do Belenenses onde se pode ler que "perder no último minuto com um frango do tamanho do mundo só me pode deixar feliz". Hey, got to celebrate when you can: este mês é o aniversário de Rolando, "muito certinho hoje". Sempre é melhor que a época passada quando depois de "16 jogadores com gripe" rebentou a bomba: "Ivan com papeira!!!"

12 julho, 2007

Quando o barato sai estupidamente caro

A Ferrari acusa um seu engenheiro de ter passado um dossier, de mais de 700 páginas, com os segredos dos seus carros à rival McLaren. A acusação, que está a ser investigada pelas autoridades, só foi possível graças à denúncia da dona da loja de fotocópias onde o engenheiro copiou os detalhes dos carros do cavalo mais famoso do mundo. A McLaren arrisca-se a perder todos os pontos conquistados até ao momento no mundial, hipotecando o investimento de centenas de milhões de euros porque alguém resolveu poupar uns trocos com um scanner ou fotocopiadora. As ironias da cópia analógica num mundo digital.