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07 janeiro, 2008

Se o polícia viu a casa ser assaltada, fechou os olhos, e continuou a ganhar 20 mil euros por mês, desculpe lá, ó sô ministro, mas vale a pena


“Quando uma casa é assaltada não vale a pena corremos atrás do polícia, acho que devemos é correr atrás do ladrão”. Teixeira dos Santos, tentando safar Vitor Constâncio da negligência (termo simpático) com que tratou o caso BCP em 2004, mas também tentando safar o ex-presidente da CMVM, o próprio Teixeira dos Santos, da negligência (termo simpático) com que tratou o caso BCP em 2004.

05 janeiro, 2008

Cobardia é sair de uma guerra em que não se acredita

Agora que se tornou claro que foi o governo francês, liderado pelo novo ídolo das nossas direitas, que obrigou ao cancelamento do Dakar por causa de um comunicado de uma organização da Al Qaeda, estranho não encontrar nenhuma crítica à cobardia do namorado de Carla Bruni nos blogues que não pararam de zurzir na falta de coragem e no capitulacionismo de Zapatero perante os terroristas quando este retirou as tropas espanholas do Iraque. A coragem dos nossos guerreiros de sofá tem os seus dias. E as suas causas.

18 dezembro, 2007

Remorsos? Sentimento de culpa? Estava na cara que não era advogada

Giuditta Russo era uma jovem e promissora advogada italiana. Em pouco mais de 10 anos, não perdeu um único dos mais de 250 processos que defendeu. Tudo lhe corria de feição, até ao dia em que percebeu que não conseguiria obter a indemnização que o seu cliente pretendia. Decidiu pagar-lhe os 70 mil euros do seu bolso. Foi o seu penúltimo processo. Não aguentou a pressão e a mentira em que tinha vivido e confessou que nunca tinha concluído a licenciatura de Direito. Na verdade, nunca tinha sequer entrado na faculdade. Durante anos tinha fingido que frequentava Direito e estudado na época de exames. Agora tem o julgamento mais importante da sua vida. Do outro lado da barra de tribunal. Sinal dos tempos. A sua autobiografia é um sucesso de vendas e vai ser transposta para o cinema.

12 dezembro, 2007

Debate à Esquerda 2: Que Perguntas?

A diferença entre as esquerdas não está só nas respostas diferentes que apresentam. Com efeito, as divergências começam desde logo a nível das perguntas se fazem ou que se deixam de fazer. Por isso aliás o debate à esquerda é duplamente controverso e por isso parece ser tão “trabalhoso” para todos os que nele entram. É que enquanto uns perguntam como o salário pode ganhar terreno à mais-valia, outros perguntam como o tempo sem trabalho pode ganhar terreno ao tempo de trabalho; enquanto uns perguntam como organizar um sistema universal, outros perguntam como recomunizar o público; enquanto uns perguntam como pode o Estado ganhar terreno ao Mercado, outros perguntam como ganhar terreno ao Mercado e ao Estado.
Mas há mais. É que para além das diferentes repostas que damos e das diferentes perguntas que fazemos, temos também modos diferentes de relacionar pergunta e resposta... se virmos bem, no debate à esquerda uma das principais divergências diz respeito ao modo de se articular pergunta e resposta. Enquanto a uns só interessa fazer as perguntas para às quais têm resposta, a outros só interessa fazer perguntas para as quais ainda não têm resposta. Enquanto para uns fazer perguntas é fazer perguntas para que se tem resposta e resulta um simples delírio fazer-se perguntas para que não se tem resposta, para outros fazer perguntas para que se tem resposta é dar respostas e não fazer perguntas. Isto não significa que estes últimos – nos quais me incluo, como já terá dado para perceber – se dêem por satisfeitos com o facto de fazerem perguntas para as quais não têm respostas. Significa, isso sim, que apostam na ideia de fazer as perguntas cujas respostas querem encontrar mesmo que não tenham a garantia de o conseguir.
Tratar-se-á aqui de uma simples questão de querença? Na verdade trata-se de uma querença que é indissociável da convicção de que é possível encontrar tais respostas. Quais são as condições que definem esta possibilidade? A primeira condição é entendermos que qualquer idealismo declarado tem consistência material – é imagem e é pedra – e que essa consistência material se pronuncia a montante e a jusante da própria declaração idealista. A título de exemplo, diríamos que quando Marx e Engels declararam que o espectro do comunismo pairava sobre a Europa, havia então um contexto material a facilitar a germinação de um tal “delírio” (Engels escreveria mais tarde, abusando da sorte, que o grau de industrialização de um país se poderia medir pelo número de exemplares vendidos do Manifesto Comunista); e diríamos também que, depois de uma tal declaração, passaram a existir novos contextos materiais.
A segunda condição é a certeza de que “realismo político” não é algo indiferente ao lugar de onde o calculamos, se “a partir de cima” ou se “a partir de baixo”. A este propósito, é sempre sugestivo o episódio proposto pelo historiador José Mattoso. Algures entre finais do século XIX e inícios do século XX, um rei português passeia com o seu iate, encontra uns pescadores numa pequena embarcação que deambula ao longo da costa atlântica e, quando lhes pergunta se são portugueses, recebe como resposta qualquer coisa como isto: “não senhor, nós somos da Póvoa do Varzim”.
A terceira condição de construção de respostas políticas que inexistem e que são imprevistas no momento em que fazemos uma pergunta, e esta é a condição mais importante na medida em que supera os próprios termos em que definimos a primeira e a segunda condição, é o princípio de seguirmos um modo comunista – do comum – de produção política de perguntas e de respostas.
Mas isto fica para um próximo post, que por ora já se faz tarde.

25 novembro, 2007

O Anarcómetro ou o Delegado Zero


Alguns comentários, nomeadamente os do Nuno Castro, perguntam-me em que é que "isto" se distingue do anarquismo. Não vou responder directamente. Não tenho nenhum Dicionário das Doutrinas à mão e temo que se fôssemos os dois consultar o dito, ainda assim, teríamos que primeiro nos entender sobre que anarquismo falamos. Entretanto, e para encurtar caminho, adianto desde já que não me faz confusão que "isto" se tome por anarquismo.

Convenhamos, ainda assim, que já aqui dei um exemplo concreto do que entendo ser um grão na engrenagem que consagra a figura de "liderança" na vida política: a primeira fase do BE, quando o partido se afirmou como uma força que falava a mais do que uma voz. Trata-se de um exemplo não muito significativo e seguramente com contradições – mas também não estamos à espera que se possa tomar partido sem elas – mas trata-se de um exemplo que se quis desviar da celebração da figura do dirigente político. A mesma renitência podia ser encontrada no partido ao lado: refiro-me à recusa da direcção do PCP, sobretudo nos anos 80, em resumir a sua vida política ao rosto do seu líder, recusa que terá sido recentemente abandonada a julgar por todo o marketing que o partido desenvolveu em torno de Jerónimo de Sousa.

Último exemplo. Este, porém, ainda actual. Se olharmos para o zapatismo, podemos ver que aí se afirma a recusa de uma heroicização da vida política. De forma algo dilemática, é certo, o delegado zero esconde o seu rosto; e isto, e ainda que todos saibamos a importância da aura romântica de Marcos na história do neo-zapatismo, tem pelo menos o condão de não elidir o problema da corrupção da democracia às mãos da representação.

08 novembro, 2007

2-2=25

A lotaria britânica estreou um novo bingo na última segunda-feira. O objectivo de "Cool cash" é que cada uma possa fazer uma linha com temperaturas inferiores às que aparecem em cada cartão. O problema é que há temperaturas positivas e negativas e, como se viu, uma parte significativa das pessoas não percebe que abaixo de zero quando mais alto for o número mais baixa é a temperatura. Três dias depois da estreia, e com a maioria das pessoas sem perceber se tinha ou não direito ao prémio, o jogo foi retirado das ruas.

Agora pensem que era em Portugal que tinha lugar um grotesco caso de inumeracia como o revelado pelos ingleses. Quantas notícias, editoriais e colunas de opinião não ocupariam a imprensa sobre o fracasso da escola pública e do ensino da matemática? Para além da definição de uma visão mítica sobre o conhecimento das gerações anteriores, a distopia sobre a escola pública também se contrói a partir da hipervalorização dos males que nos afligem e do esquecimento selectivo sobre as debilidades reveladas nos outros países. É uma pena, mas parece que desta vez o José Manuel Fernandes e a Filomena Mónica não podem recorrer ao seu tema preferido.

30 outubro, 2007

Quem chega primeiro?


O TopGear, um programa da BBC que insiste em provar que é possível fazer televisão inteligente sobre qualquer tema, juntou um Bugatti Veyron e um Eurofighter Typhoon para fazer uma pequena corrida. Vale a pena ver, e comparar a montagem, o ritmo e os apresentadores ingleses com os nacionais. O resultado foi...bem, eu apostei no carro.

25 outubro, 2007

Gaveta 9

Infografia "24 horas" (carregue na imagem para a aumentar)

No intervalo das suas preocupações com os barulhos do telemóvel, talvez não ficasse mal ao senhor procurador-geral da República verificar o que se passa na casa que dirige. O "24 Horas", na sua edição de hoje, dá o mais fiel exemplo do que foi a "investigação" do caso Casa Pia. O responsável pela coisa, o procurador João Guerra, omitiu do processo 83 diagramas que provavam que não existia nenhum registo telefónico entre os vários arguidos e entre estes e as vítimas de pedofilia. A informação ocultada punha em causa "apenas" o principal argumento da acusação, a de que os arguidos faziam parte de uma rede que combinava telefonicamente os encontros sexuais.

Sem se referir ao caso concrecto, Germano Marques da Silva não podia ser mais claro sobre o que está em causa:"A acusação não pode esconder qualquer elemento produzido no decurso de um processo, seja ele contra ou a favor do arguido, sob pena de procedimento disciplinar e até criminal (por prevaricação). Todos os elementos, favoráveis ou não, devem constar dos autos".

As mais altas figuras do Estado, e os principais partidos da oposição ao PSD/PP, eram escutados telefonicamente. As conversas, descontextualizadas (quem não se lembra da história do embaixador da Rússia) vieram todas para a imprensa. As provas eram seleccionadas de acordo com princípios que não tinham nada a ver com os critérios de interesse judicial. O juíz só queria aparecer na televisão a fazer desportos radicais. Cada procurador e inspector que apareceu no Parlamento contou uma história diferente sobre o envelope 9. E o procurador ouve barulhos no telefone. Haja paciência.

22 outubro, 2007

O politicamente correcto tem as costas largas

Anda para aí uma grande indignação porque James Watson, um dos cientistas que descobriu a estrutura do ADN, viu ser cancelada uma conferência científica depois das suas polémicas afirmações sobre a base genética para a menor inteligência dos africanos. José Manuel Fernandes (sem link) e João Miranda encontram neste caso o exemplo do condicionamento da ciência pelo “politicamente correcto”, impedindo a continuação do debate. Já Desidério Murcho considera que estamos perante o germe do “pesadelo orwelliano”.

Numa curiosa escolha de palavras, Desidério Murcho pergunta se “um cientista não tem direito a ter crenças falsas”? Depende. Do método, do rigor e da honestidade. É que, contrariamente ao que defendem os três nomes citados, não é o condicionamento politicamente correcto da ciência que está em causa, mas a sua credibilidade. A questão não são tanto as “crenças” de Watson - onde em nada se distingue do mais idiota dos racistas -, mas o facto de elas serem proclamadas com o argumento de autoridade da investigação genética e do “único compromisso com a ciência pura”. A prova “científica” usada por Watson para desmentir a igualdade racial da inteligência é a suposta burrice dos empregados negros. Ora, como foi rapidamente negado pelos seus pares, não só há nenhum estudo que comprove as teses de Watson, como o próprio já veio pedir desculpa pelas suas palavras e dizer que “não há bases científicas” para as suas afirmações. Curiosa “ciência pura”, cujas conclusões se desfazem ao fim de uma semana de moderada polémica...

James Watson, continuando o seu historial de proclamações polémicas na véspera do lançamento dos seus livros, tentou vender a banha da cobra. Escolheu uma polémica garantida. Não existe nenhum "tabu", como insinua JMF, na conclusão científica de James Watson. O problema é que ela não é científica, mas vende a ciência para se legitimar e defender o mais profundo dos estigmas racistas.

É a esta luz que devem ser encaradas as conferências canceladas. É normal que a comunidade académica se queira preservar e não se queira ver envolvida numa polémica que nada tem a ver com a ciência. Ou será que José Manuel Fernandes convidaria Jayson Blair (o jornalista do New York Times que inventou dezenas de reportagens sem nunca sair da sua secretária) para conferenciar numa palestra sobre deontologia jornalística? E a patrulha do politicamente correcto, também convidaria Floyd Landis (o ciclista a quem foi retirada a camisola amarela, de vencedor da Volta a França de 2006, por estar dopado) como principal orador num encontro sobre a ética desportiva? É tudo uma questão de credibilidade. Do cientista e de quem não perde uma oportunidade para fazer campanha contra a suposta ameaça do "politicamente correcto".

10 outubro, 2007

Pode ser que a cegonha apareça com um molho de notas

A “Plataforma Não Obrigada” não apresentou as contas de campanha, uma ilegalidade que lhe dará direito a uma contra-ordenação da Comissão Nacional de Eleições entre os 5 mil e os 10 mil euros. Para quem não se recorda, a plataforma de Nogueira Pinto e Bagão Félix encheu as ruas do país com outdoors e as caixas de correio com propaganda, numa campanha milionária a apelar ao voto “não” no referendo ao aborto.

Já em Janeiro tinham recusado apresentar a origem das receitas e a discriminação das contas, dizendo que tudo seria divulgado “de forma transparente” e “no prazo legal”. Agora, depois de continuarem sem dar cavaco a ninguém sobre a origem do dinheiro e dos montantes envolvidos, dizem ao Público de hoje que não cumpriram a lei por “carolice” e que gastaram um “pouco mais” do que os 400 mil euros previstos. Um “pouco mais”, estilo 1 milhão de euros ou coisa assim, que os “carolas” tiveram uma agência de comunicação a coordenar a campanha, encomendaram dispendiosas e esquizofrénicas sondagens e alugaram o Coliseu dos Recreios. Dizem que continuam a angariar dinheiro e que, um dia, apresentarão as contas. Nunca engaram ninguém, diga-se, pois sempre disseram que faziam uma campanha "de valores". Anónimos, está visto.

PS: Sobre o mesmo assunto: Um estilo, por Daniel Oliveira, no Arrastão.

05 outubro, 2007

Indignação selectiva

(construção da linha de alta tensão em Trajouce, Sintra)

Já passaram dois dias desde que o Supremo Tribunal Administrativo não aceitou o recurso da REN, obrigando esta empresa a desligar uma linha de muita alta tensão. A REN garante que "vai manter a funcionar a linha de muito alta tensão entre Fanhões e Trajouce, no concelho de Sintra, apesar da decisão do Supremo Tribunal Administrativo". O recurso para o Tribunal Constitucional é um expediente que, como dizem todos os especialistas ouvidos pela imprensa, não tem efeitos suspensivos sobre a decisão do tribunal. Não compete à REN julgar se o tribunal decidiu mal ou bem. Compete-lhe acatar a sua decisão e esperar que, no recurso, as suas posições prevaleçam. É assim com todos os cidadãos, não há nenhuma razão para que a REN se julgue acima das leis do Estado português.

Há dois dias que a REN desafia os tribunais e as leis da república portuguesa, perante a complacência geral e sem suscitar um milionésimo da indignação colectiva que varreu a imprensa e a blogosfera, em Agosto, com a o desrespeito pela lei e a falência da autoridade do Estado. Mas, se atendermos ao peso e responsabilidade dos intervenientes, esta decisão é bem mais gravosa que a destruição de um pequeno campo de milho por um grupo de adolescentes tardios. Trata-se uma empresa cotada em bolsa, com participação do Estado, e o recurso ao tribunal foi apresentado pela REN em conjunto com o ministério da economia.

Tudo nesta dualidade de critérios parece relevar de um puro preconceito de classe e para a origem política na indignação colectiva de Agosto. Enquanto o verde eufémia era um bando de adolescentes com um ar de freak, o José Penedos é um “senhor de bem” que veste fatos caros e gasta mais no corte de cabelo do que a maioria dos portugueses paga em electricidade. Para além disso, os cabos de muita alta tensão, por um qualquer efeito do acaso, só passam por bairros de pessoas com poucos recursos. Alguém imagina a REN a colocar estes cabos na Quinta da Marinha ou ao lado das Torres do Restelo? Pois é, também me parecia que não.

O que nos vale é que a esta hora, o Mário Crespo está a desvelar-se em contactos para garantir a presença do presidente da REN no seu programa. Tendo tomado o gosto com o Gualter Baptista, estamos certos que não enjeitará a oportunidade de confrontar, no mesmo tom jocoso e acintoso, José Penedos com o desrespeito pelo Estado de direito e a responsabilidade da sua empresa na falência da autoridade do Estado, perguntando-lhe se se julga acima da lei, das autoridades judiciais e do Estado português.

24 setembro, 2007

16 setembro, 2007

Deve ser um sítio jeitoso

Regularmente, engenheiros da Apple vão inspeccionar e acompanhar a produção dos vários modelos de iPod produzidos na cidade-fábrica da Foxconn, na China. Na empresa da maçã, são conhecidos como tendo sido "enviados para Mordor". (via Daringfireball).

14 setembro, 2007

A novela da noite precisa sempre de culpados

A forma como está a ser construída, na praça pública, a nova imagem de Kate Mccann é perturbadora. Não faço a mínima ideia se a senhora é inocente ou culpada, mas incomoda-me detectar os mesmos esquemas para acicatar o julgamento popular que já conhecemos de outras paragens. Prova que não aprendemos nada com o que se passou com o processo Casa Pia e com a sua derivação envelope 9. Sistema judicial e alguma imprensa continuam a funcionar como se nada se tivesse passado.

Há poucos dias a PJ apreendeu o diário de Kate Mccann, considerando-o um elemento de prova essencial para estabelecer o seu perfil psicológico. Ontem, um jornal e uma revista publicaram abundantes detalhes sobre o mesmo caderno pessoal. Parece que a mãe escreveu que a filha se comportava como uma "histérica" e que a sua "hiperactividade" lhe consomia as forças. Na capa, bem destacado, mãe "insulta" a filha. Hoje, no mesmo jornal, ficamos a “saber” que a “PJ investiga cúmplice dos Mccann”. O julgamento já foi feito, são culpados e têm cúmplices.

De cada vez que a opinião pública começa a questionar o trabalho da PJ ou do MP já se sabe que, nos dias seguintes, aparece na imprensa alguma “notícia” que crie a comoção necessária para explicar a mudança de rumo na investigação policial. Em Lisboa, no Porto ou em Faro as fugas de informação são uma constante tão regular como a sua permanente impunidade. Não é preciso testes de ADN para saber de onde partiu esta fuga e que a mesma teve que partir de alguém ligado à equipa de investigação. As fugas de informação são a instrumentalização da justiça, pervertem a presunção de inocência, são um chamariz para o julgamento popular. Em vez de andar a distribuir computadores, Alberto Costa (que, ao que consta, ainda é o ministro da Justiça) devia era estar a fazer qualquer coisa para garantir que as “fugas de informação” não são toleradas.

Verdade se diga que há sempre algum jornal ou revista disponível para ser instrumentalizado e nos justificar esta perversão com o interesse público e jornalístico. Curiosamente, a mesma que, no processo Casa Pia, se viu envolvida na divulgação das escutas ilegais...

13 setembro, 2007

Uma campanha edificante

Na próxima terça-feira, Marques Mendes e Luís Filipe Menezes irão defrontar-se num debate organizado pela SIC Notícias. “Ao longo da semana vamos falar com os dois para definir o que será debatido, declarou o director do canal, Ricardo Costa, à revista Sábado. Assim de repente, e sem querer ser exaustivo, parece-me que o debate tem vários motivos de interesse sobre os quais importa esclarecer os portugueses.

O folhetim das quotas do partido; a deputada que se queixa das ameaças de morte feitas aos seus filhos por causa das directas; a amiga de uns militantes que pagou as quotas a mais de 400 pessoas; o alegado assédio sexual do porta-voz de Marques Mendes a uma empregada da Câmara Municipal de Tavira; o plágio no blogue “pessoal” de Menezes; a bancada parlamentar que, segundo o líder do partido, foi escolhida numa noite de nevoeiro; o avião do amigo de Menezes que tem negócios em Gaia e o Citroen alugado de Marques Mendes que, afinal, foi emprestado por outro empresário amigo. A campanha tem sido rica na definição ideológica e programática no maior partido da oposição. Tem tudo para ser um bom debate.

11 setembro, 2007

Obcecado com a linha

Uma empregada do McDonald's, no Estado da Geórgia, EUA, passou a noite de sexta-feira na prisão e terá que responder em tribunal porque salgou demasiado um hambúrguer a um polícia. Apesar da jovem garantir que foi um acidente, o agente levou-a para a esquadra de onde só saiu no dia seguinte com uma fiança de 1000 dólares. Tudo isto porque, depois de comer o hambúrguer quase todo, o polícia diz que se sentiu tão mal que teve que vomitar. Não sei o que é mais idiota nesta história, se um polícia hipertenso que vai comer no McDonalds à espera de encontrar uma refeição desconhecendo o livro de reclamações, se a ligeira suspeita de que se o homem não tivesse uma farda ninguém passava uma noite na prisão. (via boinboing)

07 setembro, 2007

Será que dá assim tão pouco trabalho presidir a uma câmara?

Francisco Moita Flores, presidente da Câmara Municipal de Santarém, esteve hoje num debate organizado pela Sic sobre o "caso Maddie". Falava no estúdio de Lisboa. Nos últimos dias tem estado em tudo o que são noticiários televisivos, também a falar de Lisboa. No entretanto, desdobra-se em declarações para as rádios e para 2 ou 3 jornais por dia. É o especialista luso na novela Maddie. Espero que pague bem ao seu chefe de gabinete. Afinal, deve ser ele quem vai presidindo aos destinos da Câmara enquanto Moita Flores se entretém a falar de um caso judicial como se estivesse a falar do penaltie que ficou por marcar na jornada do último fim-de-semana.


A ler: A Canalha, por Daniel Oliveira, no Arrastão

05 setembro, 2007

Com a verdade me enganas

O Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa considerou "não se verificarem, por ora, os pressupostos que fundamentam a abertura de inquérito criminal" ao financiamento ilícito da Somague ao PSD. Uma situação que se poderá alterar se "forem conhecidos, por qualquer via", novos elementos. Isto é, se a imprensa descobrir qualquer coisa, o DIAP preocupa-se com o assunto. Assim, como está, adormece no segredo dos deuses e espera-se que não chamusque ninguém graúdo.

Curioso é que, o mesmo Marques Mendes andou dias a dizer que não sabia sobre o assunto, respondeu em poucos minutos dizendo que é uma “boa notícia” que prova que não houve qualquer intenção nem qualquer comportamento de natureza criminosa no financiamento do seu partido. Bom jogo de palavras para tentar desvalorizar o sucedido e esconder o óbvio. É que o comportamento só não teve uma “natureza criminosa” porque ocorreu em 2002 - coisa que Marques Mendes sabe muito bem -, porque se tivesse lugar nos dias que correm era isso mesmo:“um comportamento de natureza criminosa”. Mudam-se as leis, mudam-se os “comportamentos”.