07 fevereiro, 2008
31 janeiro, 2008
Media madness
Jon Stewart e o seu tema preferido: a “independência” das narrativas jornalísticas na política norte-americana. Um exercício que pode facilmente ser transposto para qualquer acto eleitoral, em qualquer parte do mundo. Por cá, basta recordar a influência que teve nas últimas presidenciais uma certa fotografia de Mário Soares na capa de um semanário.
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Pedro Sales
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24 janeiro, 2008
Pergunta quem paga
Das 2275 perguntas efectuadas aos candidatos presidenciais americanos nos cinco principais programas televisivos, apenas 24 estão relacionadas com as alterações climáticas.O aquecimento global apenas é referido por 3 vezes - tantas como as questões colocadas aos candidatos sobre ovnis e a vida noutros planetas! O balanço podia apenas ser revelador da forma como a imprensa se concentra cada vez mais em questões secundárias, o que é verdade, mas é bem mais revelador do que isso. Nos debates promovidos pela CNN/Youtube a omissão é total: as questões ambientais não existem. Uma lacuna que se compreende melhor quando se percebe que o principal patrocinador dos debates é o lobby das empresas de extracção de carvão. Tudo gente simpática que, no seu site, se orgulha de pretender gastar 35 milhões de dólares na campanha presidencial para melhorar a imagem pública das centrais eléctricas a carvão e apoiar os candidatos que se opõem a medidas legislativas para diminuir a emissão de CO2.
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Pedro Sales
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18 janeiro, 2008
À atenção do João César das Neves e da Patrícia Lança
Um dos principais candidatos presidenciais do partido republicano, Mike Huckabe, comparou a homossexualidade à bestialidade e o aborto à escravatura, defendendo a revisão da constituição dos EUA para que esta respeite e defenda os "mandamentos de Deus". Esqueceu-se, talvez porque ainda não tenha tido tempo para ler o João César das Neves ou a Patrícia Lança, de equiparar a homossexualidade à pedofilia. Fica para a próxima.
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Pedro Sales
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04 janeiro, 2008
O espectáculo do ano já começou
Esperança e mudança. Fartos e cansados da política do medo seguida pelo sistema político de Washington durante a administração Bush, as palavras mais usadas por Obama no seu impressionante discurso de vitória no Iowa arriscam-se a ser o eixo da campanha presidencial norte americana. Não por acaso, Hillary e Giuliani, os dois candidatos mais conotados com o "sistema", foram os grandes derrotados de ontem. O problema de Hillary não foi tanto ter perdido para Obama, mas ter ficado atrás de John Edwards. Permite a este criar o momento que o legitima como um potencial candidato ganhador e que lhe permite continuar a recolher dinheiro para o manter na corrida. Ontem teve um excelente discurso, bem longe do fulgor retórico e oratório de Obama, mas provando que é o candidato mais à esquerda no campo democrata.
O João Rodrigues e o Nuno Teles já tinham chamado a atenção para as suas propostas - principalmente o plano de saúde e a retirada do Iraque - e para o apoio que tem recolhido entre os economistas de esquerda. Ontem voltou a falar de um dos temas que tem destacado nas últimas semana, criticando a "corporate greed" que tem conduzido ao aumento da desigualdade social nos EUA. Edwards pode ser a surpresa no campo democrata, afirmando-se definitivamente como um nome a ter em conta. Ainda bem. Obama parece cada vez mais ser aquilo que tanto critica nas suas intervenções, dizendo aquilo que as pessoas (e os seus financiadores) querem ouvir.
PS: Com um correspondente especial nos EUA a tempo inteiro, e um intermitentente entre Angola e Chicago, o Zero de Conduta vai acompanhar as eleições com especial atenção. Na barra da direita, já se pode encontrar o link para todos os textos sobre a Indecisão 2008. Serão muitos.
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Pedro Sales
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Marcadores: EUA 2008
06 novembro, 2007
Para além disso, toda a gente sabe que a "medicina socialista" come criancinhas ao pequeno-almoço
"Eu tinha cancro da próstata há cinco, seis anos atrás. As minhas hipóteses de sobreviver - e, graças a Deus, fiquei curado - nos Estados Unidos? Oitenta e dois por cento. As minhas hipóteses de sobreviver a um cancro na próstata na Inglaterra? Apenas 44 por cento, com a sua medicina socialista".
Já há vários dias que se sabia que os números usados por Rudy Giuliani, o mais que provável candidato republicano às presidenciais norte-americanas, eram falsos. Ontem, numa raríssima intromissão na campanha eleitoral de outro país, o ministro da Saúde britânico veio desmentir publicamente o candidato presidencial republicano e esclarecer que, em Inglaterra, a taxa de recuperação se situa nos 74.4% - e a subir. Pouco importa. Giuliani, numa exemplar demonstração de que Bush fez escola na política americana, já garantiu que vai continuar a transmitir o anúncio na mesma.
Mas o mais importante no anúncio não é tanto o que diz Giuliani mas o que fica por dizer. Esconde que a "medicina socialista" custa aos contribuintes menos de metade do que os americanos gastam em despesas de saúde. O único país industrializado sem um serviço universal de saúde, é o país que gasta mais em despesas médicas: 15% do PIB. O resultado? 46 milhões de cidadãos, sem seguro, não tem acesso a nenhum cuidado de saúde. A pergunta que exigia resposta era essa. Qual é a probabilidade que esses milhões de pessoas têm de sobreviver a um cancro da próstata? Zero por cento. É esse o número que interessa, por muito que os nossos liberais de serviço pretendam elogiar as virtudes de um sistema exclusivamente privado que gasta fortunas para apresentar indicadores medíocres.
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Pedro Sales
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18 outubro, 2007
Finalmente, um candidato a sério
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Pedro Sales
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12 agosto, 2007
11 agosto, 2007
O Obamistão Luso rejeita o Kucinismo Científico
O Filipe já tinha trazido o Kucinich à baila e o homem continuou a fazer sucesso aqui e aqui. Depois a febre Kucinista alastrou como fogos durante um governo PSD. Ponto por ponto, Somos todos Kucinistas (aqui e aqui). Na verdade, ninguém o aceitou: parece que toda a gente simpatiza com alternativas reais de poder, nomeadamente Obama. Na humilde opinião deste escriba, Obama tem sido uma desilusão e o seu posicionamento táctico - uma terra de ninguém entre a inicial frescura apolítica (o jovem sem nódoas de governação no seu passado, que é curto) e o actual proto-Homem-de-Estado cinzentão - tem deixado um rasto de ambiguidades. Se fosse para fazer isso, sempre preferia a Hilária.
Links estivais:
i) o teste que circulou inicialmente
ii) outro teste (um pouco melhor)
iii) sondagens, sondagens e mais sondagens,
iv) um especial para freaks de tabelas.
v) um especial para freaks de mapas: para brincar com a geografia eleitoral de 2008.
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vasco carvalho
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Marcadores: EUA 2008, Hilária Clintão, Já só falta a votação de São Marino, Kucinich, Obama
10 agosto, 2007
lollabama jam?
A AT&T-comunicações, recordista nos lóbis (36 milhões de dolares desde 1990, a maioria para republicanos desde os anos Clinton), patrocionou o palco principal do festival Lollapalooza. Por decisão da administração, a AT&T decidiu excluir duas frases da versão online do concerto de encerramento (com os Pearl Jam, já bem acabaditos): "George Bush leave this world alone" e "George Bush find yourself another home" (frases já tão banais como a banda que as canta hoje, mas eu sou um tipo amargurado do grunge). Gramem lá então com 4 minutos dos good 'ol 90s para apanhar o coro georgiano (não censurado). Tudo explicadinho no fan club, para quem já lá não põe os pés há um tempo.
[a AT&T também autorizou as escutas do governo e tem estado na frente de batalha contra o projecto de net neutrality. É a pior empresa do mundo, na humilde opinião deste seu cliente]
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Miguel
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Marcadores: EUA 2008, patti smith de carrinho de golf, Tou-me a passar chaval
lollabama 3: a tourné continua

Terça-feira no estádio da bola, com os principais candidatos democratas e uma multidão de alguns milhares de sindicalistas. Vinham todos pela AFL-CIO (federação sindical que junta 10 dos 15 milhões de trabalhadores americanos sindicalizados), que também organizou o debate. Apesar da all-mighty AFL de Nova York apelar ao voto em Hillary, o grande debate "laboral" aconteceu no Obamistão.
"At the direction of the United States Secret Service", dizia o bilhete de entrada, haveria medidas de segurança reforçadas. Quando me esquivei para um cigarro (estávamos ao ar livre), recomendaram-me as casas-de-banho por causa dos serviços secretos. Não são as mortes lentas que os preocupam e arrisquei na mesma. E cá estou para contar quando nada disto é já notícia.
Obama esteve frouxo mas escapuliu-se bem na história do Paquistão ('não aceito lições de quem autorizou o maior desastre de política externa de sempre'). Hillary saltita de plano de 3 pontos em plano de 3 pontos e teve que ouvir muito apupo. Edwards está definitivamente em esteróides e foi à boleia da única ovação da noite -- se não foi encomendado, este velhote fez-lhe um grande favor.
Bill Richardson é um panhonha que disse ao que vinha na sua primeira intervenção: 'I want to continue receiving your [AFL] financial support'. Mas Kucinich estava em casa e o comício foi dele. Usou-o bem, I'll tell ya how, para anunciar a saída da OMC e do NAFTA.
O resto é circo Rolling Stoniano de entrada gratuita e muitos lugares por preencher. Esperando por ver quem encaixa o dinheiro da AFL.
Logo à noite é em Los Angeles.
Mais sobre o debate da AFL-CIO:
no youtube e a transcrição do debate.
"Are you ready for some political football?" (blog NYtimes)
"Live-blogging the democratic forum" (blog NYtimes)
"Tuesday evening coming down" (Driftglass)
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Miguel
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07 agosto, 2007
Them Old Roots
Whataya gonna do for McDonough?
Whataya gonna do for you?
Are ya gonna carry your precint?
Are you gonna be true blue?
Whenever ya wanted a favor,
McDonough was ready to do.
Whataya gonna do for McDonough,
after what he done for you?
Jingle da eleição de Big Joe McDonough para tesoureiro em Chicago, circa 1932. Big Joe foi o pai político de Richard J. Daley, Mayor de Chicago de 1955 a 1976 (à esquerda na foto), por sua vez pai político e biológico de Richard M. Daley, Mayor de Chicago desde 1989 (à direita).
a.k.a. the Machine.
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vasco carvalho
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04:13
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06 agosto, 2007
dennis and golias
A propósito de escumalha. Na 4a feira passada, Rumsfeld testemunhou no congresso sobre o encobrimento da morte de um soldado americano no Afeganistão, por fogo americano. A questionar Rumsfeld, um tal de Kucinich. São 6 minutos de suores frios para Rumsfeld. Não seria mais interessante se as sessões ministeriais em São Bento tivessem um pouco mais disto?
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Miguel
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Marcadores: Dick-Jabba-Cheney, EUA 2008
05 agosto, 2007
lollabama 2: Barack & Roll
Ver a Patti Smith às voltas de carrinho de golf no exterior do recinto do Lollapaloza, enquanto segurava o chapéu com as duas mãos, não foi chamariz suficiente*: Barack estava ao lado e fazia anos. Ali para os lados do parque de estacionamento do Yearlykos, pensei eu, ainda poderia haver uma festa (helas, o barbecue é só na 3a).
Barack não era o único no YearlyKos. Estavam lá todos os candidatos presidenciais, sujeitando-se ao 'informalismo' de sessões abertas com um público 'hostil' de esquerda. Só isto dirá muito do poder do Daily Kos, de que o Pedro já aqui falou. Para quem não conhece, este 'blog' já chegou ao milhão de visitas por dia, com +600,000 visitas em média (em comparação, o público tira uma tiragem de 46,000 jornais), apoiando, pressionando ou denunciando o campo político democrata. Devo dizer que me arrepia o culto Kosiano que faz o cunho deste blog (nem a alternativa desmedida de se passar a chamar 'NetRoots Nation' a partir da próxima convenção), mas vale a pena perceber o que se tem passado por lá ao longo deste fim-de-semana.
Ontem falou-se de dinheiro e lóbis. De todos os candidatos, Hillary Clinton foi a única a admitir continuar a aceitar dinheiro de lóbiistas de Washington (e para quem viu Sicko, aí na coluna do lado, sabe que Hillary sofreu os efeitos dos lóbis farmacêuticos). Por outras: é a única a aceitar dinheiro entregue em mão nos passos perdidos local, a versão mais aberta do tráfico de influências que se passa na política americana.
Mas todos têm telhados de vidro nisto (e quando a ACLU e a NRA estão de acordo na rejeição de regulação federal o problema não fica mais fácil de resolver). Obama, que já anda a meter a pata na poça com o que disse sobre o Paquistão (ainda que numa jogada de puro faro político), tem na GoldmanSachs (a mesma que vendeu uma empresa à EDP) o maior contribuinte de campanha. Com dinheiro a pingar pela internet, esta malta pode dar-se ao luxo de recusar dinheiro de uns maluquinhos de Washington, diluindo o restante dinheiro 'limpo' em contas faraónicas.
Um dado interessante nestas contas é o papel de mauzona que todos atribuem à indústria farmacêutica. Pois fiquem-se com esta: de todos os contribuintes registados, a saúde aparece só em 40º lugar, com a American Hospital Association. Muito depois do lóbi da cerveja, dos carros, das comunicações, dos carpinteiros, da Fedex, NRA...e por aí fora. Vejam a tabela dos 100 maiores doadores por vocês, vale a pena.
Vídeo do NYT (com respostas dos outros candidatos) e artigo do Caucus sobre o debate de ontem.
* Mas do gramado exterior Cool War Kids (que parece que andaram por Portugal em vacances) e CSS estiveram bem.
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Miguel
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20:18
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10 julho, 2007
Bom Dia, faltam
560 DIAS PARA A QUEDA DE DICK CHENEY
20 de Janeiro de 2009. É a data marcada para a redenção dos EUA, com a retirada de cena da administração Bush-Cheney e o juramento de bandeira de novo dynamic-duo. 560 dias portanto para imaginar embates como Gore-Obama vs. Bloomberg-Schwarzenegger, êxito de bilheteira garantido. Sobretudo 560 dias de política para além do freak show bicéfalo, Bush-Cheney.
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vasco carvalho
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Marcadores: Aceitam-se Apostas, Bush, Dick-Jabba-Cheney, EUA 2008
15 junho, 2007
Obama fan club
De Red and Blue states, as eleições americanas passam para o R&B. Esta deverá ser a primeira balada romântica que consegue juntar na mesma frase C-SPAN com crush on Obama. Mas tem mais: "You're into border security, let's break this border between you and me, universal health care reform...it makes me warm...".
Mais uma para a história da campanha youtube, 100 milhões de vídeos todos os dias. No blog do NYTimes falou-se aqui da Obama Girl.
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Miguel
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09:05
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