Mostrar mensagens com a etiqueta É preciso ter lata. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta É preciso ter lata. Mostrar todas as mensagens

01 fevereiro, 2008

Há coisas fantásticas, não há?

Marinho Pinto disse ontem o óbvio na entrevista a Judite de Sousa. O processo Casa Pia foi instrumentalizado politicamente. Foi o que chegou para o inefável advogado da Casa Pia anunciar que pretende apresentar uma queixa na Ordem contra Marinho Pinto. Miguel Matias é também o representante legal das vítimas de abusos sexuais nessa instituição. Só mesmo em Portugal é que dezenas de crianças são violentadas e abusadas num internato e o advogado da instituição, em vez de se estar a defender da acusação de negligência, aparece como defensor das vítimas. Em vez de estar calado, e assumir as culpas da Casa Pia, dedica-se a ameaçar com processos todos quantos criticam os excessos da investigação e a evidente politização da sua orientação. Mas Miguel Matias não é um caso isolado. O que dizer, então, do pedo-psiquiatra que acompanhava as crianças na Casa Pia e que, só depois de ler nos jornais que existe pedofilia no internato, é que começa a falar na existência de 800 vítimas, sem nunca ninguém lhe perguntar como é que isso escapou ao seu conhecimento enquanto médico? This stinks

15 janeiro, 2008

O fascismo instrumental

Numa das suas últimas crónicas no Público, o Rui Tavares chamou a atenção para os manifestos exageros retóricos de Vasco Pulido Valente e Pacheco Pereira a propósito da lei do tabaco. “Vasco Pulido Valente ameaçava aniquilar com o verbo quem se permitisse chamar “fascismo” à ditadura de Salazar — uma ditadura que censurava, prendia e torturava os seus opositores. Pacheco Pereira indignou-se por ter havido quem chamasse “fascista” a George W. Bush, — isto por causa de Guantánamo, do Patriot Act e da Guerra do Iraque. E eu levei-os a sério. E agora descubro que estes mesmos historiadores não tiveram dúvidas em classificar como “fascista” a nova lei do tabaco. Não lhe chamaram exagerada, mal concebida ou uma série de coisas que, concebivelmente, se poderiam dizer acerca de uma lei que transforma espaços que eram por regra de fumadores em espaços de não-fumadores. Não: fascista é que é.”

Precisamente porque vindo de quem, ao longo de décadas, tem vindo a exigir um rigor exegético na utilização do termo “fascista”, o caso de Pacheco Pereira é merecedor de uma atenção especial. Este prolixo autor de um blogue perseguido por meia blogosfera, tem-se empenhado na reabilitação de Mário Machado. “Tudo na longa manutenção de prisão preventiva de Mário Machado é estranho e aponta para razões puramente políticas, o que é inadmissível numa democracia”. Onde Pacheco Pereira encontra a perseguição por delito de opinião (de um movimento que se junta para cantar os parabéns a Rudolf Hess com protecção policial), o Ministério Público viu dezenas de crimes, entre os quais a posse ilegal de armas, agressões, ameaças de morte, insultos e sequestro. Mário Machado, e os seus amigos que se entretêm a profanar cemitérios judeus, é o mesmo que escreve cartas da prisão a ameaçar a vida de magistrados, coisa que se presume séria de quem já se foi preso e condenado pelo homicídio de uma pessoa que cometeu o “crime” de ter nascido com a cor “errada”. Mas, também nessa altura, Pacheco Pereira não via razões para falarmos de "fascismo". No dia 17 de Junho de 1995, poucos dias depois do homicídio de Alcino Monteiro por Mário Machado e companhia, era isto que Pacheco Pereira dizia no Expresso:

“O ridículo de falar na “noite de cristal” ou no “terror fascista” à solta em Lisboa só não salta aos olhos de toda a gente porque o nosso discurso estão tão degradado que as palavras já não têm o significado que pretendem ter”.

“Se pensam que há alguma coisa de pedagógico nesta histeria colectiva “anti-racista” e que com ela se previne qualquer outro crime, estão bem enganados: o feito será precisamente o contrário.”


“Ao se perder a medida perde-se a razão e entra-se na história do rapaz e do lobo. Ao se destruir o valor das palavras falando de “terror fascista” para com stampede racista de 50 guetos, está-se a gritar ao lobo antes de ele vir.”


"No dia em que de um Tribunal saírem para passar uns anos na cadeia os assassinos do jovem negro, a verdadeira pedagogia anti-rascista far-se-à.”


Como em quase tudo o que diz e escreve, Pacheco Pereira tem uma visão instrumental da palavra "fascismo". A sua definição, e aceitabilidade, pertence-lhe. A lei é fascista e quem não a critica nestes termos é porque convive bem com o ambiente de conformismo generalizado. Os fascistas, que matam e sequestram, são presos políticos. Pacheco Pereira tem razão numa coisa. O discurso está tão degradado que as palavras já não têm significado. E o seu discurso é apenas mais um exemplo disso mesmo.

13 janeiro, 2008

Não há almoços grátis

Começa a faltar a paciência para tanto encómio, elogio, louvor e bajulação ao estudo da CIP sobre Alcochete. O momento alto foi atingido no Expresso da Meia-Noite, onde o responsável pelo estudo afirmava, perante a anuência geral, que mais importante que o aeroporto era a vitória da democracia assumida por um “conjunto de cidadãos” cansados de tanta incompetência técnica. E quem são esses cidadãos? Não se sabe nem se pode dizer, responde o autor do estudo, alegando o medo das represálias do Governo. Desculpem lá não acompanhar a comoção geral, que parece ter assentado arraiais precisamente naqueles que passam todo o ano a indicar-nos que "não há almoços grátis", mas esta treta não servia nem para uma pergunta do "Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?". Represálias? Do Governo que mudou de posição para escolher a proposta sugerida pelo "grupo de cidadãos"? Que o único nome conhecido, o da Lusoponte, seja um dos principais interessados no projecto, talvez tenha alguma coisa a ver com o caso. Agora, as represálias?

09 janeiro, 2008

É só dar tempo ao tempo.

Já está a tomar forma o coro de vozes a defender nos jornais e na televisão a decisão governamental de não referendar o tratado de Lisboa, apesar de ser uma promessa que consta no programa de Governo e ter sido a posição assumida pelo actual primeiro-ministro na campanha eleitoral. Cá estaremos para ver quantos dias vão passar até que, a propósito de um qualquer episódio, as mesmas autorizadas vozes apareçam nos jornais e na televisão a referir o crescente afastamento entre a população e o sistema político, a falta de confiança nos partidos ou a reduzida participação eleitoral. Como se sabe o incumprimento de promessas não tem nada a ver com o descrédito da política e é um produto do acaso.

04 janeiro, 2008

Forreta mas contente


Perante as críticas da oposição sobre os miseráveis aumentos das pensões, o Governo respondeu com um comunicado onde garante que 90% dos pensionistas mantêm o poder de compra. Se a taxa de inflação for a que calcula Bruxelas (2,7%) nem isso é verdade, mas a reacção do Governo é exemplar porque nos revela que:

  1. 90% dos pensionistas têm reformas abaixo dos 611 euros.
  2. O Governo desistiu de combater a pobreza, renunciando a recuperar o poder de compra das centenas de milhar de idosos que vivem com menos de 300 euros por mês.
  3. A manutenção do inexistente poder de compra dos mais pobres dos mais pobres é quanto basta ao Governo para se congratular com os aumentos concedidos a 1,6 milhões de pessoas que recebem menos do que o salário mínimo nacional.

12 dezembro, 2007

Debate à Esquerda 2: Que Perguntas?

A diferença entre as esquerdas não está só nas respostas diferentes que apresentam. Com efeito, as divergências começam desde logo a nível das perguntas se fazem ou que se deixam de fazer. Por isso aliás o debate à esquerda é duplamente controverso e por isso parece ser tão “trabalhoso” para todos os que nele entram. É que enquanto uns perguntam como o salário pode ganhar terreno à mais-valia, outros perguntam como o tempo sem trabalho pode ganhar terreno ao tempo de trabalho; enquanto uns perguntam como organizar um sistema universal, outros perguntam como recomunizar o público; enquanto uns perguntam como pode o Estado ganhar terreno ao Mercado, outros perguntam como ganhar terreno ao Mercado e ao Estado.
Mas há mais. É que para além das diferentes repostas que damos e das diferentes perguntas que fazemos, temos também modos diferentes de relacionar pergunta e resposta... se virmos bem, no debate à esquerda uma das principais divergências diz respeito ao modo de se articular pergunta e resposta. Enquanto a uns só interessa fazer as perguntas para às quais têm resposta, a outros só interessa fazer perguntas para as quais ainda não têm resposta. Enquanto para uns fazer perguntas é fazer perguntas para que se tem resposta e resulta um simples delírio fazer-se perguntas para que não se tem resposta, para outros fazer perguntas para que se tem resposta é dar respostas e não fazer perguntas. Isto não significa que estes últimos – nos quais me incluo, como já terá dado para perceber – se dêem por satisfeitos com o facto de fazerem perguntas para as quais não têm respostas. Significa, isso sim, que apostam na ideia de fazer as perguntas cujas respostas querem encontrar mesmo que não tenham a garantia de o conseguir.
Tratar-se-á aqui de uma simples questão de querença? Na verdade trata-se de uma querença que é indissociável da convicção de que é possível encontrar tais respostas. Quais são as condições que definem esta possibilidade? A primeira condição é entendermos que qualquer idealismo declarado tem consistência material – é imagem e é pedra – e que essa consistência material se pronuncia a montante e a jusante da própria declaração idealista. A título de exemplo, diríamos que quando Marx e Engels declararam que o espectro do comunismo pairava sobre a Europa, havia então um contexto material a facilitar a germinação de um tal “delírio” (Engels escreveria mais tarde, abusando da sorte, que o grau de industrialização de um país se poderia medir pelo número de exemplares vendidos do Manifesto Comunista); e diríamos também que, depois de uma tal declaração, passaram a existir novos contextos materiais.
A segunda condição é a certeza de que “realismo político” não é algo indiferente ao lugar de onde o calculamos, se “a partir de cima” ou se “a partir de baixo”. A este propósito, é sempre sugestivo o episódio proposto pelo historiador José Mattoso. Algures entre finais do século XIX e inícios do século XX, um rei português passeia com o seu iate, encontra uns pescadores numa pequena embarcação que deambula ao longo da costa atlântica e, quando lhes pergunta se são portugueses, recebe como resposta qualquer coisa como isto: “não senhor, nós somos da Póvoa do Varzim”.
A terceira condição de construção de respostas políticas que inexistem e que são imprevistas no momento em que fazemos uma pergunta, e esta é a condição mais importante na medida em que supera os próprios termos em que definimos a primeira e a segunda condição, é o princípio de seguirmos um modo comunista – do comum – de produção política de perguntas e de respostas.
Mas isto fica para um próximo post, que por ora já se faz tarde.

06 dezembro, 2007

Um (péssimo) cartão de visita

Em vésperas de aterrar em Lisboa, mais a sua gigantesca comitiva, Khadafi fez publicar em vários jornais nacionais um anúncio de página inteira criticando a Convenção de Otava sobre minas terrestres. Ficámos assim a saber que, num país que tem mais de 27% do seu território arável coberto por minas colocadas na II Guerra Mundial, o seu presidente não aceita a proibição do fabrico e utilização de minas terrestres, nem a destruição da sua reserva. Para nos convencer, diz que “os países poderosos não precisam de minas para se protegerem. As minas são o meio de auto-defesa dos países fracos”. O senhor não deve ter estado com atenção às incursões americanas não muito longe do seu país. As minas não travam nenhum exército rudimentar, quanto mais as modernas máquinas de guerra. As minas terrestres não defendem nenhum Estado. São uma arma contra os civis. São estas as suas vítimas. Os civis pobres. É uma arma cobarde. Que alguém entenda que a sua apologia é um bom cartão de visita do seus país no estrangeiro diz bastante sobre o delírio absoluto em que se baseia o regime líbio.

29 novembro, 2007

O que deve tornar complicado olhar-se ao espelho

Luis Delgado, na edição de hoje da Sábado, diz que um dos seus ódios são os lambe-botas.

05 novembro, 2007

A Economist, esse pasquim da extrema-esquerda movido pelo ódio a Bush

Economist, 13 de Outubro de 2007
“Ser de esquerda significa apoiar o Estado e, temo, ser anti-americano”. A frase que titula a entrevista que o Público hoje edita, numa bem sucedida acção promocional ao novo livro da editora de Zita Seabra, é reveladora da profundidade intelectual e absurda simplificação do autor de "O que resta da Esquerda?”. Nick Cohen é uma caricatura a fazer uma caricatura da esquerda. A entrevista é uma mistificação absurda e demagógica de quem se apercebeu que, na actual conjuntura, há sempre mercado para um autor criticar quem não se revê na política de Bush. É polémica garantida, ainda por cima quando o autor se diz de esquerda.

Quem não apoia a administração Bush é anti-americano. Quem é anti-americano apoia Bin Laden e a Al-Quaeda. O maniqueísmo, que conhecemos de alguns dos debates que tiveram lugar em Portugal aquando da invasão do Iraque, parecia estar meio desaparecido agora que há menos pessoas a apoiar a guerra e a ocupação do Iraque do que leitores do diário de José Manuel Fernandes. Mas o autor, e quem passa a vida a usar esta nova cassete para catalogar e diminuir as posições dos outros, esquece-se de uma coisa. É a sua linha de argumentação que mete no mesmo saco o presidente norte-americano - e uma democracia com mais de 200 anos - e um bando de terroristas fundamentalistas. Se o seu termo de comparação é esse, tudo bem. Mas não metam é a esquerda ao barulho. Pode dar-se o caso de descobrirem que esta é bem maior do que parece e que tem os mais insuspeitos aliados.

28 outubro, 2007

Já que fala nisso...

Qual foi o debate mais difícil para o governo?, pergunta o JN ao ministro Santos Silva. A taxa de desemprego que não pára de aumentar? O crescimento da economia que não há maneira de atingir a média europeia? Nada disso. O momento mais embaraçoso foi quando tiveram que atirar as culpas para o seu antecessor, responde o ministro dos assuntos parlamentares, num notável exercício de cinismo político. "Foi em Maio de 2005 quando tivemos de anunciar que o défice estimado pelo Banco de Portugal para 2005 era 6,83% e que íamos proceder imediatamente a cortes de despesa e aumento de receita". Um valor desconhecido de todos, como então garantiu o Governo Sócrates. Uma história muito mal contada. Se não, reparem no que dizia Jaime Gama, no encerramento do debate orçamental, poucos meses antes do seu partido anunciar o aumento do IVA por causa do défice de 6%.

17 outubro, 2007

"D" de demagogia

Luís Filipe Menezes foi ontem a Bruxelas para se reunir com Durão Barroso. À saída, questionado pelos jornalistas sobre a posição do seu partido sobre o referendo ao tratado europeu, disse que não se pronunciava antes do PS anunciar a sua posição. "É o partido socialista que está no Governo, é a ele que lhe compete dizer o que pretende fazer". Claro que a posição de Menezes é marcada pelo mais genuíno oportunismo político, mas, se a moda pega e o partido socialista continuar no governo, ainda vamos ver o PSD a dizer que não tem nada para dizer aos portugueses sobre impostos, aumentos salariais, educação, saúde, justiça e por aí fora. Menezes ganhou o PSD para o tranformar no PS com um D no fim.

05 outubro, 2007

Também existem os ignorantes desqualificados. Costumam gerir as empresas municipais

Uma tese de doutoramento, aprovada com distinção máxima na Universidade de Sevilha, indica que a maioria das empresas municipais “dão prejuízo, são financiadas de forma pouco transparente e estão sujeitas à vontade política”. O autor, o ex-deputado socialista Casimiro Ramos, coloca ainda em causa o elevado número de autarcas nos conselhos de administração, muitos deles a acumular salários.

"Uma coisa é nomear 'boys', outra coisa é nomear pessoas", respondeu o secretário-geral da Associação Nacional de Municípios, para quem o autor da tese "é um ignorante qualificado a associar o que não pode ser associado". Continuando a elevada finura da análise, Artur Trindade faz ainda o favor de explicar, a todos os "ignorantes" que questionam a utilidade e a gestão da maioria das empresas municipais, que estas podem ter a "máxima eficiência e dar prejuízo", uma vez que "uma coisa é a má gestão e outra os lucros".

Devia estar a pensar na Emel, em Lisboa. Uma empresa criada para recolher o dinheiro do estacionamento nas ruas da capital, uma galinha dos ovos de ouro que até um macaco com um computador à frente era capaz de pôr a dar lucro, mas que dezenas de ignorantes desqualificados conseguiram colocar numa eminente situação de falência técnica. Mal por mal, mais valia entregar o negócio aos arrumadores. Parecem ser mais eficientes.

20 setembro, 2007

Abrupto macht frei

Pacheco Pereira considera que “tudo na longa manutenção de prisão preventiva de Mário Machado é estranho e aponta para razões puramente políticas, o que é inadmissível numa democracia”, acrescentado que este bom homem “é acusado de incitar ao ódio racial, algo que em países genuinamente liberais não é crime nem sequer delito de opinião”.

Já aqui escrevi sobe o Código Processo Penal e a indignação sem sentido a propósito da libertação de não sei quantos presos preventivos. Mário Machado não deve ser tratado de forma distinta da que é reservada a todos os outros detidos e se excedeu o prazo máximo de prisão preventiva deve ser libertado. Mas não é isso o que faz Pacheco Pereira, misturando o que tem a obrigação de saber que não tem nada a ver com o caso, apenas para dizer que este homem é um preso político.

Em primeiro lugar não sei onde é que foi buscar a excepção nacional da criminalização do incitamento ao ódio racial. A negação do holocausto é crime na Alemanha, países como a Irlanda ou França têm legislação contra os crimes de ódio, incluindo a sua defesa. Delito de opinião, sim senhor, também dá para condenar e expulsar na liberal Inglaterra.

Depois, Pacheco Pereira tinha a obrigação de saber, e sabe, que o líder dos skinheads nacionais está longe de estar preso por “razões puramente políticas”. Foi acusado de 17 crimes, incluindo ameaça de morte. Uma advertência que é para levar a sério, atendendo a que este “preso político” já cumpriu pena pelo seu envolvimento no homicídio de Alcino Monteiro, cujo crime foi ter nascido com uma cor que Mário Machado e os seus amigos consideram impura. O ano passado, foi condenado a três anos de prisão, suspensa por um período de quatro anos, por extorsão, por dois crimes de sequestro dados como provados e pela posse ilegal de arma.

Para quem se indignou, até à medula, com a destruição de um pequeno campo de milho por um grupo de adolescentes tardios, escrevendo dezenas de posts sobre esse “atentado” ao Estado de direito, não deixa de ser curioso verificar esta abrupta conversão à causa deste “preso politico” que dá pelo nome de Mário Machado.

Mas nada disso importa a Pacheco Pereira, nem o detém na sua cruzada de equiparar os movimentos de esquerda aos energúmenos neonazis que suportam Mário Machado. Por muito condenável que seja, a destruição de um hectare de maçarocas de milho não tem nada a ver com terrorismo, da mesma forma que o caso de Mário Machado não tem nada a ver com perseguição política. Mesmo a manipulação e a má fé intelectual têm limites. Pacheco Pereira ultrapassou-os.

Vale a pena ler, os delitos de opinião de Mário Machado.

12 setembro, 2007

Para fazer propaganda já cá estava eu

Paulo Portas acusou hoje o Governo de fazer "propaganda" nas escolas: "Eu acho que as escolas são lugar de trabalho, não são lugar nem de propaganda nem de comício". O líder do PP fez estas declarações enquanto apresentava as propostas do seu partido para a educação, no final de uma visita à Escola Secundária de Alvide. Afinal, o problema não parece ser tanto a propaganda, mas o facto de Paulo Portas não ter computadores para distribuir.

31 agosto, 2007

Dúvidas


Publicidade para o Renault Dauphine, anos 60, Brasil

Há só uma dúvida que me fica na cabeça. Quem estará a mentir: a publicidade brasileira dos anos 60, anunciando 16 quilómetros por litro ou a indústria automóvel actual, anunciando um admirável mundo novo no que diz respeito ao consumo de combustíveis? É que o Toyota Prius, referência global da solução eco-consciente para o novo milénio, faz uns estrondosos 17,5 km por litro.

Mesmo admitindo a falsidade de publicidade com 40 anos, o facto é que as estatísticas para os EUA mostram bem que de 1980 ao Prius não há um corte radical, mas uma lenta evolução: um automóvel novo nos EUA fazia em média 10 km/litro em 1980, 11 km/litro em 1990 e perto de 13 km/litro em 2000.

Ao mesmo tempo, e por estes dias, na Shell eco-marathon(sic) correm protótipos que chegam aos 3000 km por litro, ordens de magnitude de diferença. É certo que do protótipo à comercialização vai um grande passo, mas já podíamos começar a pôr os travões (metáfora rasteira, eu sei) ao imenso spin verde que envolve os actuais modelos comerciais 'amigos do ambiente'. Servirá para vender jornais da especialidade, preencher o vazio na televisão ou mesmo para massajar o ego do suposto consumidor consciente. Mas não venham com a conversa da 'nova mentalidade eco-responsável para um novo milénio'. É que com amigos como estes...

24 agosto, 2007

Não era mais fácil fazer o Estado cumprir a lei?

Cavaco Silva vetou o Regime de Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado, um diploma que foi aprovado por unanimidade, e que garante o direito aos cidadãos que se sentem lesados pelo Estado de recorrerem aos tribunais para reclamar uma indemnização. Diz o Presidente da República que, a ser aprovado, este diploma teria “consequências financeiras cuja razoabilidade em termos de esforço fiscal é questionável”.

Vamos a ver se compreendi. O Presidente da República acha que o Estado passa a vida a meter os pés pelas mãos, e, portanto, em vez de defender o cumprimento da lei pelo Estado, impede que os cidadãos reclamem quando se sentem lesados! Extraordinário argumento em favor da impunidade de quem deve ser o primeiro a dar o exemplo, revelando até onde pode ir o desvario da obsessão com o défice.

01 agosto, 2007

Nada a declarar II

Ainda a propósito da Entidade das Contas e Financiamentos Político não se pronunciar sobre o mais que suspeito financiamento da campanha socialista no Brasil, vale a pena reparar no currículo do porta-voz da Entidade que, depois de ser tão taxativo para a imprensa sobre as irregularidades cometidas pelo PS, não se pronuncia sobre elas no acórdão.

Jorge Galamba é o que se pode chamar um homem dos sete ofícios. Antes de ser nomeado pelo Tribunal Constitucional para fiscalizar as contas dos partidos, foi administrador da Fergráfica, uma empresa do grupo CP. Segundo o “Público”, de 22 de Janeiro de 2007, a sua gestão ficou marcada por uma inspecção das Finanças que encontrou “despesas não justificadas” no valor de 8059 euros, gastos por Galamba em perfumes, roupas e música. Mais estranho ainda, para as Finanças, é o facto de, numa empresa tecnicamente falida e com salários em atraso, Galamba passar a vida em viagens de negócios para locais tão distintos como a Indía, África do Sul, EUA, Brasil, Paris, Londes, Madrid ou Itália.

Mas Galamba não vê nenhum problema nisso. Diz que a empresa tinha dificuldade e, às vezes, era o próprio que tinha que adiantar dinheiro. A Fergráfica retribuía-lhe pagando-lhe estas despesas. Com um passado marcado por uma inacreditável promiscuidade entre o seu dinheiro e o da empresa, que legitimidade é que tem um administrador com um currículo destes para fiscalizar as contas dos partidos? “Não tem nada a ver uma coisa com a outra”, responde Galamba ao Público, parecendo acreditar que somos todos estúpidos.

As maiores agências financeiras internacionais contratam conhecidos hackers informáticos para garantirem a segurança, e a invulnerabilidade, das suas redes e transacções financeiras. Parece que o Tribunal Constitucional seguiu o mesmo exemplo na contratação deste diligente Galamba e foi buscar um especialista em sobrefacturação para fiscalizar os dinheiros dos partidos. É um critério de selecção. Convinha é que o homem abrisse os olhos e visse o que se passa com o PS num Brasil que, pelos visto, tão bem conhece das viagens que fazia às custas de uma empresa falida e com salários em atraso.

19 julho, 2007

Confusos?

Depois de António Costa ter passado dois meses a dizer que as eleições para Lisboa não tinham nada a ver com a actuação do Governo, o Partido Socialista fez ontem uma declaração no Parlamento para fazer uma leitura nacional dos resultados eleitorais "dos partidos que pretenderam fazer um plebiscito ao governo".

Na resposta, PSD e PP, os dois partidos que centraram a campanha lisboeta na crítica ao Governo Sócrates, alegaram que estivemos perante umas eleições “atípicas” que não permitem uma leitura nacional dos resultados.

16 julho, 2007

Martins da Cruz e a defesa dos interesses da Nação

Toni, li com agrado as tuas declarações ao Diário de Notícias atacando esse traidor que é o Saramago.

Mas acho que foste muito comedido. Eu compreendo que, como todos os Portugueses honrados, és um homem humilde que não gosta de falar das suas contribuições para a raça Lusa. O que é inspirador em alguém como tu, um verdadeiro visionário do papel de Portugal no mundo, é a coragem de actuar na defesa dos interesses da Nação. E por isso estou a compilar uma pequena cartilha dos teus actos em prol da Pátria Lusa. Aqui vai um esboço, capítulo por capítulo, para a memória de Portugal e do mundo:

I) Portugal no Mundo, segundo Martins da Cruz. Nas suas aulas de Mestrado em Relações Internacionais na Lusíada, o venerando Professor deixou a sua visão estratégica por escrito: "Um país como Portugal tem de se preocupar em reagir e não em agir". E também as suas razões para levar o país para a batalha: "Quanto ao Iraque, Portugal posicionou-se como se posicionou porque Saddam Hussein nunca disse que não tinha armas de destruição maciça". A sua actuação como Ministro de Negócios Estrangeiros foi patriota e isenta: fechando consulados e intrometendo-se nas eleições francesas, apoiando Jacques Chirac.

II) Portugueses Honrados no Mundo, segundo Martins da Cruz. Como sempre nos ensinou, há que premiar os Portugueses que contribuem para a honra do País no mundo. Assim fez o venerando embaixador em 2001, quando condecorou o empresário Luso-espanhol Albertino Figueiredo com a Ordem de Mérito da República Portuguesa. Foi uma pena que o homem estivesse envolvido no maior esquema pirâmidal de sempre em Espanha e que tenha sido preso.

III) Defendendo os Interesses Económicos de Portugal no Mundo, segundo Martins da Cruz. O corajoso Martins da Cruz esteve sempre ao lado dos interesses económicos Portugueses. Disso são exemplo a sua entrada para a direcção da empresa Afinsa - do seu amigo Albertino Figueiredo, o tal que foi preso- em 2005, ou a representação do Grupo Carlyle na aquisição de parte da GALP - trabalhando para esse grande herói, Frank Carlucci, enviado da CIA em Portugal e suspeito do assassínio de Patrice Lumumba.

IV) Educação e Família, um Exemplo para o Mundo, segundo Martins da Cruz. Verdadeiro homem de família, o vice-chefe do clã Martins da Cunha persuadiu os seus colegas de governo para que a filha entrasse em Medicina em regime ilegal -perdão, especial. Também conseguiu que o seu chefe de Governo aprovasse uma benesse para o seu negócio de família, a Universidade Lusíada.

Sinto-me tão orgulhoso de ti, Toni! Se isto fosse Espanha tu provavelmente ficavas-te como porteiro de um qualquer aparthotel em Benidorm para Alemães com cirrose. Aqui, cumpres o sonho Português. Viva Portugal! Viva o Toni!