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12 janeiro, 2008

Sarkozy Consulting

Os ministros franceses vão passar a ser avaliados por uma empresa de consultadoria. A novidade, anunciada por Sarkozy, já tem até os critérios definidos. Segundo a Visão desta semana, a ministra do ensino superior será responsabilizada pela taxa de insucesso nas faculdades, a da cultura em função do número de espectadores dos filmes franceses e o ministro do Interior será recompensado pelo número de imigrantes ilegais que consiga expulsar (!!). Até ver, é a última novidade nesta senha liberal que insiste em quantificar todos os aspectos da vida social e política como se estes pudessem ser avaliados e escrutinados seguindo a mesma metodologia utilizada para contabilizar o número de computadores que saem de uma linha de montagem. Certamente uma coincidência, claro, mas a consultora foi fundada por alguns dos membros da elite política francesa e encontra-se em dificuldades financeiras. Está certo. Nada como pedir a uma empresa que não se consegue gerir a si própria para avaliar o desempenho de um governo. Isto promete.

05 janeiro, 2008

As terras geladas de Anadia

O 31 da Armada e o maradona envolveram-se numa polémica a propósito do encerramento dos centros de saúde. Diz o Pedro Marques Lopes que conduz à desertificação do interior e que “sem a ocupação do território a soberania sobre este deixa de ter significado prático”, responde o maradona que “a soberania exerce-se não com pessoas mas com a aplicação das leis”. É uma boa resposta, infelizmente posta em causa pelo encerramento de tribunais e postos de GNR no interior, mas o argumento definitivo ainda estava para aparecer. Diz o maradona que, se no Canadá e na Suécia é possível fazermos milhares de quilómetros só encontrando renas* pelo caminho e sem vislumbrar vivalma e centro de saúde que se preze, porque razão não podemos fazer o mesmo no nosso país? Como é um rapaz modesto ficou-se por aqui. É pena. Podia ter lembrado ao Pedro Marques Lopes o exemplo do Brasil. Alguém imagina os quilómetros que uma pessoa tem que percorrer na Amazónia para encontrar um tribunal, posto de polícia ou centro de saúde? E na Austrália, meus amigos, a mesma coisa. É possível andar-se dias só a ver kangurus ou cobras do deserto. Se funciona com esses países, porque não podemos nós encerrar centros de atendimento que se limitam a ter 40 mil consultas por ano? O Presidente da República é que tem razão. As populações não entendem a política da saúde. Tivesse o ministro o brilho retórico do maradona e estava a questão resolvida.

* Esperamos que, depois de fechados os centros de saúde, escolas, tribunais, estações de correio, ramais da CP e postos da GNR, o Governo providencie uma renas como na Suécia. Já que o interior do país pode ser encarado como uma reserva natural, sempre era bom termos uns animais engraçados para mostrarmos aos nossos filhos nas férias.

Cobardia é sair de uma guerra em que não se acredita

Agora que se tornou claro que foi o governo francês, liderado pelo novo ídolo das nossas direitas, que obrigou ao cancelamento do Dakar por causa de um comunicado de uma organização da Al Qaeda, estranho não encontrar nenhuma crítica à cobardia do namorado de Carla Bruni nos blogues que não pararam de zurzir na falta de coragem e no capitulacionismo de Zapatero perante os terroristas quando este retirou as tropas espanholas do Iraque. A coragem dos nossos guerreiros de sofá tem os seus dias. E as suas causas.

17 dezembro, 2007

Nem Intelectualismo nem Nacionalismo

Primeiro, na SIC-Notícias, entra em campo Saldanha Sanches. Que uma vez mais insiste em fazer gala do elitismo da sua concepção de cultura: diz o fiscalista que o que é importante são engenheiros e matemáticos e não futebolistas e desportistas. Depois, numa reportagem noticiosa do mesmo canal, surge em cena o jornalista Nuno Luz. Diz-nos ele que Cristiano Ronaldo ficou em terceiro na eleição para jogador do ano FIFA. Que ficou atrás de Kaká mas também - e isto é que não se esperava, diz Luz - de Lionel Messi. Até aqui tudo certo. Porém, finalizando a reportagem, Luz resolve acrescentar que o próprio seleccionador de Angola colocou Lionel Messi à frente de Cristiano Ronaldo... Enfim, é sempre bom sabermos que para alguns - como o fiscalista - a cultura é apenas e só a cultura científica e a cultura erudita, quiçá com uns toques de cultura popular do tipo cantigas alentejanas e artesanato tradicional a animarem o altar. E também é bom sabermos que o nacionalismo anda sempre à espera de apanhar a jeito um jornalista como o Nuno Luz.

10 dezembro, 2007

Importa-se de repetir?

O vice-presidente da Câmara de Gaia e presidente da distrital do PSD/Porto, Marco António Costa, responsabilizou hoje o governo pelo assassínio de mais um segurança da noite, considerando que se está a "reeditar a Chicago dos anos 30". Curioso. É que a Chigaco dos anos 30 só foi possível com a eleição de um mayor fantoche de Al Capone e com o seu apoio e envolvimento nos esquemas de corrupção. Desculpem lá, mas o que é que Marco António Costa está a querer dizer?

06 dezembro, 2007

Um (péssimo) cartão de visita

Em vésperas de aterrar em Lisboa, mais a sua gigantesca comitiva, Khadafi fez publicar em vários jornais nacionais um anúncio de página inteira criticando a Convenção de Otava sobre minas terrestres. Ficámos assim a saber que, num país que tem mais de 27% do seu território arável coberto por minas colocadas na II Guerra Mundial, o seu presidente não aceita a proibição do fabrico e utilização de minas terrestres, nem a destruição da sua reserva. Para nos convencer, diz que “os países poderosos não precisam de minas para se protegerem. As minas são o meio de auto-defesa dos países fracos”. O senhor não deve ter estado com atenção às incursões americanas não muito longe do seu país. As minas não travam nenhum exército rudimentar, quanto mais as modernas máquinas de guerra. As minas terrestres não defendem nenhum Estado. São uma arma contra os civis. São estas as suas vítimas. Os civis pobres. É uma arma cobarde. Que alguém entenda que a sua apologia é um bom cartão de visita do seus país no estrangeiro diz bastante sobre o delírio absoluto em que se baseia o regime líbio.

19 novembro, 2007

Italiano para principiantes


O CAA, no Blasfémias, refere um artigo de Jorge Miranda onde o constitucionalista indica que as reuniões do conselho científico da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa decorrem em inglês. Como a vida não está está fácil, e nunca se sabe o dia de amanhã, os previdentes economistas da Nova entenderam que o melhor mesmo é começarem a comunicar numa língua com maior valor comercial. Como refere o CAA, podiam ter-se lembrado também do árabe ou do Chinês. Ou então frequentar umas aulas de italiano com os Monty Python.

17 novembro, 2007

Apeadeiro do Oriente

fotografia de nfcastro
Não subscrevo grande parte das considerações estéticas que o Duarte Calvão faz sobre a Gare do Oriente, mas este seu post toca de forma certeira num ponto essencial. A arquitectura não tem só uma componente estética. Apesar de ser uma arte, tem obrigações de funcionalidade a que não se deve dispensar. Tem que ter uma escala humana. E, nesse capítulo, a Gare do Oriente é um desastre. Sem nenhuma protecção contra o vento, confusa e sem um espaço abrigado onde as pessoas possam esperar pelo comboio não é a estação central de que Lisboa precisa. É um apeadeiro que custou 175 milhões de euros, o que deve ser um recorde mundial. Agora querem que o TGV passe por lá. Para um serviço caro, e que custará milhares de milhões de euros, não se compreende como é que vão acomodar os passageiros numa estação com o nível de comodidade do apeadeiro do Cacém. Uma coisa é certa, quem se lembrou desta mirabolante solução nunca teve que apanhar um comboio na Gare do Oriente no inverno. Devia ser esse o seu castigo. No próximo mês, todos os dias, às oito da manhã. Parece-me que mudava logo de ideias.

24 outubro, 2007

Para haver condicionamento da ciência tem que haver ciência

O João Miranda, retomando uma posição do André Azevedo Alves, responde ao meu post sobre o "caso" Watson, dizendo que o cancelamento de palestras "é mais um sinal da politização da academia e do desrespeito pelas regras tradicionais de debate". Nos comentários do post diz mesmo que é a "integridade do processo cientifico" que está em causa.

Exacto. Só que essa integridade foi posta em causa pelo próprio Watson ao defender, com o argumento de autoridade da ciência, conclusões que não correspondiam a nenhum esforço ou estudo científico. Aliás, na própria entrevista, o autor diz acreditar que, daqui a 10 anos, será possível provar aquilo que os empregadores de trabalhadores pretos já hoje sabem: que os africanos são menos inteligentes. Onde é que cabe, aqui, a "integridade do processo científico"? É conversa de café, na melhor das hipóteses.

Por mim pode, e deve, estudar-se tudo livremente. E também acho que a ciência não deve ser politizada. Mas não é isso que está em causa nesta questão. Watson acha que existem condicionantes genéticas que explicam que os pretos, árabes ou os judeus são menos inteligentes? Força, estude isso e apresente os resultados desse estudo. Mas não foi isso que fez. Preferiu dar voz aos preconceitos mais generalizados, emprestando-lhes a força da autoridade científica de quem sabe do assunto porque até foi ele que descobriu a estrutura do ADN. É uma impostura, como hoje lhe chama Vitor Malheiros no "Público". É normal que, nessas condições, os organizadores das palestras não se queiram ver associados a Watson. Só isso. O resto é a campanha do costume dos defensores do "politicamente incorrecto". Vale a pena ler o último parágrafo do artigo já citado de Vitor Malheiros (antigo editor da extinta secção de ciência do Público).

Se Watson guardasse alguma lucidez, teria explicado na sua entrevista que sobre a inteligência comparada ele não sabia mais do que um distribuidor de pizzas. Mas, abusivamente, permitiu que ela fosse lida como a resposta de um prémio Nobel de Medicina e Fisiologia a uma questão relativa aos atributos fisiológicos dos seres humanos e investida de dessas autoridade. Tratou-se de uma impostura.

17 outubro, 2007

Não havia necessidade

Poucas propostas são mais significativas sobre o continuado disparate que vai ser a liderança de Luís Filipe Menezes do que as suas propostas para a elaboração de uma nova constituição e a extinção do Tribunal Constitucional. Posto isto, não se compreende que o Tribunal Constitucional tenha decidido responder à intervenção de Menezes. Por muita razão que o presidente do TC tenha nos reparos que faz ao líder do PSD, deveria perceber que, dado o cargo que ocupa, era a última pessoa que podia responder às propostas de um partido político. Ao entrar desta forma no debate partidário, a única coisa que conseguiu foi dar uma “borla” a Menezes e permitir que o mesmo continue a proclamar o carácter politico e partidário do actual Tribunal Constitucional. Desta vez com alguma razão.

16 outubro, 2007

Onde é que esta gente tem a cabeça?

O Zig Zag é o programa infantil da RTP2. Como, para além de ter algumas boas séries de animação e desenhos animados, o canal público supostamente não tem publicidade, é o único programa televisivo que o meu filho vê de quando em quando. Há poucos minutos, imediatamente antes de começar a programação do fim de tarde, a RTP entendeu que não tinha melhor anúncio promocional para emitir que o do ultimo episódio da sexta série do 24. Não sei quem é que escolhe o horários das autopromoções, mas será que é assim tão difícil perceber que o Jack Bauer a disparar sobre tudo o que mexe será sempre uma das últimas imagens a passar antes de um programa destinado a crianças que, na sua maioria, ainda nem estão escola? Do que serve não ter anúncios, se, depois, falta o mínimo bom senso? Bem, onde é que está o mail do provedor da RTP?

12 outubro, 2007

Neopositivismo

Ontem, a Igreja Católica desdobrou-se em declarações, pormenorizadas, sobre o rigor metodológico e científico colocado na análise e validação de um milagre.

Hoje, meia blogosfera acordou chocada porque o prémio Nobel da Paz foi atribuído a Al Gore, questionando o rigor científico do seu documentário.

05 setembro, 2007

Descubra as diferenças

"We´re not occupying Iraq, we were invited!", diz a porta-voz da Casa Branca numa patética operação da administração Bush para reescrever a história. Vídeo encontrado no Bitoque do costume.

24 agosto, 2007

Nonsense legislativo

O Decreto-lei 160/2005, de 21 de Setembro, regula o cultivo de variedades geneticamente modificadas, visando assegurar a sua coexistência com culturas convencionais e com o modo de produção biológico. O artigo 12, do mesmo decreto, regulamenta o “estabelecimento de zonas livres de cultivo de variedades geneticamente modificadas”, remetendo a sua regulamentação para legislação própria.

Um ano depois, através da Portaria 904/06, de 4 de Setembro, o Governo ”Estabelece as condições e o procedimento para o estabelecimento de zonas livres de cultivo de variedades geneticamente modificadas”, conferindo “aos municípios a iniciativa de requererem o estabelecimento de zonas livres, mediante a observação de determinadas condições e no respeito pela vontade dos agricultores de uma dada zona”. Tem sentido. Descentraliza a decisão, entregando a competência aos municípios, se for essa a vontade expressa de, pelo menos, dois terços dos agricultores. Mas, e há quase sempre um “mas” nestes obscuros documentos, a mesma portaria especifica que, “caso algum agricultor da área proposta para zona livre declare por escrito a vontade de não participar na mesma, a assembleia municipal fica impedida de prosseguir com o pedido de estabelecimento”.

De acordo com a lógica das melhores cenas dos Monty Python , o Governo decreta a existência de zonas livres de transgénicos, conferindo às Assembleias Municipais o poder para as criar, mas, no mesmo documento, decreta que basta a vontade de um agricultor para todo esse esforço legislativo ser inócuo e improcedente. Das duas uma. Ou não existem zonas livres de transgénicos, ou, havendo, e sendo a sua competência dos municípios, não tem sentido nenhum contornar, através de um esquema, o seu cumprimento. Mais a mais, quando são os próprios organismos estatais, como o ICN, que impedem a criação de zonas livres, num claro sinal de que nem o Governo leva a sério a legislação que faz publicar em Diário da República.

Este caso tornou-se mediático, mas não é exemplar único. São dezenas de portarias, decretos e projectos e propostas de lei que são sabotadas na sua regulamentação, autênticos buracos negros que desafiam qualquer lógica. Para elaborar estas obras-primas da burocracia, o governo envolve vários assessores, chefes de gabinete, solicita pareceres jurídicos e envolve os ministros e secretários de Estado, que os assinam. Da próxima vez que o Governo falar da falta de produtividade do país, talvez fosse bom alguém perguntar a José Sócrates quanto é que o erário público gasta em embustes legislativos como este que não servem rigorosamente para mais nada que do que para o Governo mostrar que trabalha.

21 agosto, 2007

Contas de Merceeiro

Possíveis agendas PSD para esta semana:

a) "Ilegalidades objectivas": violação da lei de financiamento dos partidos pelo PSD, no valor de 230 mil euros, indirectamente viciando o acto eleitoral autárquico de 2001. (ver também o post do Sales)

b) "Queixa crime", por parte de Fátima Oliveira contra o PSD no valor de 3996 euros e acusação de "manipular e censurar um acto eleitoral no partido"

c) "Destruição de menos de 1 hectare de milho", por parte de grupos de cidadãos que foram identificados pela GNR no local (e que portanto não deixarão de ser considerados culpados perante a lei, em tribunal); valor de 3900 euros. (ver post do Filipe)

Usar o megafone para c) e assobiar para o lado em a) e b) é só mais uma razão a juntar às muitas que fazem com que o PSD seja um partido em crise, pouco credível e pouco relevante para a discussão política em Portugal. E é pena, um partido Social Democrata a funcionar decentemente fazia falta em Portugal por estes dias. Se fica a este nível, mal por mal prefiro a rapaziada d´O Insurgente, que sempre tem mais entertainment value (as in Jerry Springer value).

19 agosto, 2007

Será possível descer mais baixo, ou já bateram no fundo?

Helena Lopes da Costa viu, em poucos dias, dois dos seus três filhos serem ameaçados de morte enquanto passa férias no Algarve. O filho mais novo da deputada do PSD, António Maria, terá mesmo sido perseguido num aldeamento na Balaia, enquanto a mãe estava a jantar em Quarteira na Festa do Pontal, na passada terça-feira à noite.

"Custa-me a acreditar em motivações políticas, até porque sou militante há muitos anos e nunca vivi uma situação destas, mas há, de facto, coincidências muito estranhas", disse a deputada, apoiante de Luís Filipe Menezes na luta pela liderança do PSD.

Uma dessas coincidências, de acordo com a deputada, refere-se ao facto de ambos os filhos ameaçados serem militantes do PSD e de os seus números de telemóvel constarem da base de dados do partido.
Em declarações à RTP, a deputada adiantou que a sua filha foi a única que não recebeu ameaças de morte no telefone e, ao contrário dos seus irmãos, o seu número de telefone não consta na base de dados do partido.

Segundo a edição de ontem do Correio da Manhã, Fátima Oliveira, de 43 anos, pagou, “por amizade”, as quotas de 245 militantes do PSD, num valor total de 3996 euros. Tempos depois descobriu que os pagamentos, embora feitos individualmente, foram considerados ‘pagamento em massa’ pelo Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) do partido, por serem provenientes da mesma conta bancária. Logo, foram recusados. Desde então esta directora financeira está em guerra aberta com a Secretaria-Geral do partido para reaver o seu dinheiro. E já apresentou uma queixa-crime.

“Não sou militante do PSD nem de nada, o que me motivou foram relações de amizade que mantenho há alguns anos com militantes da secção A de Benfica”, garante.


Para quem não se lembra, fez ontem uma semana que Luís Filipe Menezes se mostrou indignado com o nível da campanha do PSD, avisando Marques Mendes que não são apenas candidatos a líder do PSD, "mas estão também a ombrear com José Sócrates para vencê-lo como primeiro-ministro". Pois. É já a seguir... é que é já a seguir.

Ainda faltam cinco semanas para as eleições directas no PSD.

27 julho, 2007

"Ainda no outro dia encontrei o Bin Laden a vender uns discos na Feira do Relógio"

"A pirataria está a financiar o terrorismo", Eduardo Simões, Director Geral da Associação Fonográfica Portuguesa, nas Alegações Finais do Diário de Notícias, justificando o encerramento, pela PJ e ASAE, de vários sites de partilha de ficheiros na internet.