às vezes gostava de não ter de verificar a notícia duas vezes com a imprensa estrangeira. de vez em quando não me importava de confiar no que vem escrito. uma vez por outra gostava de ter a oportunidade de ler factos sem pensar em motivos ulteriores. para poder tirar as minhas próprias conclusões; manhosas, é certo, mas minhas. não era preciso ser sempre, só assim de vez em quando.
Enquanto dezenas de milhar de portugueses invadiam as ruas a protestar contra a guerra, e as sondagens indicavam uma oposição de 80% à invasão do Iraque, a imprensa enchia as páginas com editoriais e colunas de opinião que não escondiam uma “lágrima furtiva” com o “25 de Abril” de Bagdad. Foi curta a emoção, sendo curioso reparar como mudaram de opinião, ou passam ao lado do assunto, os mais encarniçados guerreiros de sofá da nossa imprensa.
A mentira interessa pouco a Ferreira Fernandes, seja em Madrid ou em Washington, com paragem nos Açores. O exercício é conhecido. Quem critica a política da administração Bush, e a forma como conduziu a guerra ao terror depois do 11 de Setembro, é anti-americano. São "os que não contam". Só há um problema nesta lógica. É que os EUA estão cheios de anti-americanos. Tantos, que até levam os seus "mas" para os programas nas maiores estações televisivas. Aqui fica um exemplo, da emissão especial da MSNBC no 11 de Setembro.
Aviso pré post: o post seguinte contém a dose mais que habitual de bas-fond, PSP, Violência Policial 1, 'disconnected youth',you-tube, blogolândia, tvi,claques de futebol, jornalista do Portugal Diário, posição previsível de esquerda, caixas de comentários a regurgitar, 2 dias nas notícias até ao próximo osso... Se preferir luta de classes mais soft e mais bem escrita diriga-se a outros lugares.Aqui fica o que isto é, mesmo depois de tudo isso,Violência Policial 1, feio, comum, previsível e mal contado... E não mencionei as conversas no Portugal de sofá. E de escritório. E de café. E sentiram aquele momento em que, por todo o país, o bom chefe de família decidiu anunciar, perante a TVI e a família: deviam era enforcá-los esses ... Foi ontem à noite, à hora das notícias.
Meses depois da vergonha pública no 25 de Abril, exposta no Cravado no Carmo e dias depois do exibicionismo infantil no Hi5, onde agentes da PSP deixaram a sua foto-reportagem de uma operação policial completa com comentários como 'acabem com os mitras', os seus 'camaradas' voltam a aparecer na net, desta feita quatro agentes espancando ao pontapé um jovem negro.
Resposta da PSP: não se verificou nenhuma queixa de agressão. Pois, resta saber se quem foi espancado assim ainda tem língua para falar (literalmente). É que quem já perdeu amigos por 'força excessiva' da PSP -eufemismo típico de cobardes- reconhece que é este o 'standard procedure' contra os suspeitos que não são brancos; 'não está a falar comigo' como se houve no vídeo, seguido de pontapé, é a resposta à interpelação 'o que é que eu fiz para me bater?'. O meu amigo morreu porque tinha roubado um carro na margem sul. O resultado foi a suspensão de um agente durante dois meses. Avaliando pela reacção da PSP, os jovens no vídeo devem ter passado sem pagar no metro. Ou roubado um telemóvel. Ou nada mesmo. Tudo é crime hediondo e serve para sujar a bota polida em tardes de menos acção.
Não foi preciso muito. Um dia depois de se conhecer que a Somague financiou o PSD à margem da lei, a edição de hoje do Público mostra como, um mês e meio depois desse providencial cheque, a Somague foi beneficiada por uma decisão do Governo PSD. Curiosamente, o responsável por essa decisão foi o secretário de Estado das Obras Públicas, Vieira de Castro, que era o responsável financeiro do PSD quando este partido enviou uma despesa de 233 mil euros para facturação na Somague.
Ao contrário do que ontem tentava fazer crer o editorial do Diário de Notícias, o financiamento da Somague ao PSD não tem nada a ver com as sucessivas multas que os partidos recebem pelos erros administrativos e processuais nas suas contas. São condenáveis, claro, mas estão a léguas de ser uma “ilegalidade objectiva”. Uns dão multa decidida pelo TC, o segundo, à luz da lei actual, dá direito a pena de prisão e a pesadas coimas aos infractores. Misturar os dois casos é uma mistificação para desvalorizar o sucedido, como também o fez Pacheco Pereira, sempre tão atento e diligente para denunciar as mistificações e desvios da imprensa que não se coadunam com a sua agenda política.
Paulo Portas vai processar o Estado pelas fugas de informação que têm visado o partido no caso Portucale e dos submarinos, acusando as instituições judiciais de terem sistematicamente violado o segredo de justiça. Sobre Lisboa, nada ou quase nada. Provando que, com Paulo Portas, o despudor e a recusa da assumpção de responsabilidades são a essência da sua vida política, o líder do PP aparece agora muito preocupado com as condições do exercício da oposição em Portugal. Foi esse o comovente resultado da sua reflexão semanal.
Quando essas condições estiveram verdadeiramente em causa, com a fabricação de provas, manipulação de informação sob segredo de justiça - envolvendo o próprio director da PJ – e a instrumentalização da justiça para decapitar o principal partido da oposição, nada se ouviu de Paulo Portas. Pelo contrário, deixem a justiça trabalhar era a palavra de ordem durante os longos meses do processo Casa Pia. Curiosamente, à altura desses factos, Paulo Portas era o número dois do Governo e, no ministério da Justiça, sentava-se uma dirigente do PP por si nomeada.
Ver o PP e o PNR a discutirem, entre eles, medidas para combater a insegurança. Estavam a entender-se até o PNR começar a criticar Telmo Correia por este querer colocar uma câmara de vídeo em cada esquina. Estaríamos a criar um “big brother”, diz o candidato fascista.
“Somos todos filhos de D. Afonso Henriques e vivemos felizes com isso”. Telmo Correia, candidato do Partido Popular à Câmara Municipal de Lisboa, aos microfones da SIC. 7 de Julho de 2007.
Só quem não tem estado atento à campanha que Telmo Correia está a fazer em Lisboa é que pode pensar que a lamentável xenofobia desta frase é um equívoco. Nada mais falso. A cada dia que passa, e com todas as sondagens a colocarem-no fora da vereação, Telmo Correia não pára de encostar o discurso do Partido Popular às tradicionais bandeiras eleitorais da extrema-direita. Ele são os casamentos gays, o fim da despenalização da droga ou das salas de injecção assistida, os grafiteiros que sujam as paredes ou a mais que ambígua distribuição de pás e vassouras “para limpar a cidade”.
Não é a primeira vez que o PP, sob a direcção de Paulo Portas, recorre ao populismo mais rasteiro e primário para salvar a face num acto eleitoral. Em 2002 foram os ciganos, que "roubavam" o Rendimento Mínimo Garantido. Agora chegámos à purificação da raça. Dêem-lhes tempo.
A liberdade de expressão, por Carmen Pignatelli, entre os risos de vários dirigentes do Ministério da Saúde.
Felizmente que vivemos em democracia, proclamou ontem a Secretária de Estado da Saúde, antes de nos explicar o que é que isso significa. As críticas ao Governo devem ser feitas "nos locais próprios". Em nossa casa, na rua, ou na esquina do café com os nossos amigos.
Independentemente de qualquer decisão judicial, anunciou um dos promotores do jantar, Domingos Nóvoa "é um homem cujo trabalho merece ser seguido", "como exemplo, por muitos gestores portugueses". Para quem demonstra tanta preocupação com a independência do sistema judicial, este "grupo de amigos" demonstra que já se libertou das amarras processuais que ainda infestam a nossa Justiça, como essas minudências de tentar descobrir se alguém é culpado ou inocente.
De facto, para quê tanta preocupação em tentar descobrir se este homem "que trabalha de sol a sol" mexeu os cordelinhos para comprar as influências necessárias para lesar os lisboetas em mais de 40 milhões de euros? Como os promotores dizem representar 80% do PIB da região, isso deve-nos explicar alguma coisa sobre as práticas empresariais de um distrito que, apesar de dispor do maior número de Ferraris por habitante em todo o mundo, apresenta também a mais elevada taxa de desemprego do país.