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15 dezembro, 2007

Jornalismo de referência?












às vezes gostava de não ter de verificar a notícia duas vezes com a imprensa estrangeira. de vez em quando não me importava de confiar no que vem escrito. uma vez por outra gostava de ter a oportunidade de ler factos sem pensar em motivos ulteriores. para poder tirar as minhas próprias conclusões; manhosas, é certo, mas minhas. não era preciso ser sempre, só assim de vez em quando.

Jornalismo de referência? Dommage, não temos.

13 setembro, 2007

Os anti-americanos do “mas” já chegaram à América

Enquanto dezenas de milhar de portugueses invadiam as ruas a protestar contra a guerra, e as sondagens indicavam uma oposição de 80% à invasão do Iraque, a imprensa enchia as páginas com editoriais e colunas de opinião que não escondiam uma “lágrima furtiva” com o “25 de Abril” de Bagdad. Foi curta a emoção, sendo curioso reparar como mudaram de opinião, ou passam ao lado do assunto, os mais encarniçados guerreiros de sofá da nossa imprensa.

O 11 de Setembro é o dia que lhes resta para ajustarem contas com o seu passado, sem os “adversativos” que tanto irritam Ferreira Fernandes. O colunista, que escreve diariamente na esquina direita do DN, está muito irritado porque “para alguns foi 11 de Setembro mas”. Não que Ferreira Fernandes tenha alguma coisa contra o mas e o uso de adversativos, não gosta é que alguém os utilize quando ele não concorda. Veja-se o que escrevia FF nos dias seguintes à eleição de Zapatero. “A discussão que vai para aí sobre se Aznar mentiu ou não! Um primeiro-ministro a escamotear dados para ganhar eleições é assunto importante quase sempre. Mas não neste caso.” Pois...

A mentira interessa pouco a Ferreira Fernandes, seja em Madrid ou em Washington, com paragem nos Açores. O exercício é conhecido. Quem critica a política da administração Bush, e a forma como conduziu a guerra ao terror depois do 11 de Setembro, é anti-americano. São "os que não contam". Só há um problema nesta lógica. É que os EUA estão cheios de anti-americanos. Tantos, que até levam os seus "mas" para os programas nas maiores estações televisivas. Aqui fica um exemplo, da emissão especial da MSNBC no 11 de Setembro.

06 setembro, 2007

Você não está a falar para mim

email: geral@igai.pt; Telefone: 21 358 3430

05 setembro, 2007

PSP: Polícia de Sova Pública

Aviso pré post: o post seguinte contém a dose mais que habitual de bas-fond, PSP, Violência Policial 1, 'disconnected youth',you-tube, blogolândia, tvi,claques de futebol, jornalista do Portugal Diário, posição previsível de esquerda, caixas de comentários a regurgitar, 2 dias nas notícias até ao próximo osso... Se preferir luta de classes mais soft e mais bem escrita diriga-se a outros lugares. Aqui fica o que isto é, mesmo depois de tudo isso,Violência Policial 1, feio, comum, previsível e mal contado... E não mencionei as conversas no Portugal de sofá. E de escritório. E de café. E sentiram aquele momento em que, por todo o país, o bom chefe de família decidiu anunciar, perante a TVI e a família: deviam era enforcá-los esses ... Foi ontem à noite, à hora das notícias.


(visto no Bitoque)

Meses depois da vergonha pública no 25 de Abril, exposta no Cravado no Carmo e dias depois do exibicionismo infantil no Hi5, onde agentes da PSP deixaram a sua foto-reportagem de uma operação policial completa com comentários como 'acabem com os mitras', os seus 'camaradas' voltam a aparecer na net, desta feita quatro agentes espancando ao pontapé um jovem negro.

Resposta da PSP: não se verificou nenhuma queixa de agressão. Pois, resta saber se quem foi espancado assim ainda tem língua para falar (literalmente). É que quem já perdeu amigos por 'força excessiva' da PSP -eufemismo típico de cobardes- reconhece que é este o 'standard procedure' contra os suspeitos que não são brancos; 'não está a falar comigo' como se houve no vídeo, seguido de pontapé, é a resposta à interpelação 'o que é que eu fiz para me bater?'. O meu amigo morreu porque tinha roubado um carro na margem sul. O resultado foi a suspensão de um agente durante dois meses. Avaliando pela reacção da PSP, os jovens no vídeo devem ter passado sem pagar no metro. Ou roubado um telemóvel. Ou nada mesmo. Tudo é crime hediondo e serve para sujar a bota polida em tardes de menos acção.

03 setembro, 2007

O Murdoch de Penafiel

PS: A ver também o trabalho de André Levy no Jangada de Pedra (saravá Samir!).

23 agosto, 2007

230 000 Euros? No problem (update)



Actualização, já incluindo a estratégia de Marques Mendes. A partir da frase de topo seguir: yes, yes, I know, yes, yes.

Did it work? NO!

PS: é oficial, o Blasfémias e o Insurgente não têm opinião sobre o assunto.

Quem é amigo, quem é?

Não foi preciso muito. Um dia depois de se conhecer que a Somague financiou o PSD à margem da lei, a edição de hoje do Público mostra como, um mês e meio depois desse providencial cheque, a Somague foi beneficiada por uma decisão do Governo PSD. Curiosamente, o responsável por essa decisão foi o secretário de Estado das Obras Públicas, Vieira de Castro, que era o responsável financeiro do PSD quando este partido enviou uma despesa de 233 mil euros para facturação na Somague.

Uma das primeiras decisões políticas anunciadas pelo então secretário de Estado das Obras Públicas, Vieira de Castro, foi a de pedir ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) um parecer jurídico para esclarecer "algumas dúvidas" relativas à concessão da auto-estrada Litoral Centro à Brisa. A Procuradoria considerou, passado poucos meses, que as “dúvidas” de Vieira de Casto não tinham cabimento, mas, entretanto, a Somague já tinha deixado de se lamentar da “posição dominante” da Brisa e tinha feito uma parceira com esta empresa, entrando desta forma na apetecível concessão da A17.

Ao contrário do que ontem tentava fazer crer o editorial do Diário de Notícias, o financiamento da Somague ao PSD não tem nada a ver com as sucessivas multas que os partidos recebem pelos erros administrativos e processuais nas suas contas. São condenáveis, claro, mas estão a léguas de ser uma “ilegalidade objectiva”. Uns dão multa decidida pelo TC, o segundo, à luz da lei actual, dá direito a pena de prisão e a pesadas coimas aos infractores. Misturar os dois casos é uma mistificação para desvalorizar o sucedido, como também o fez Pacheco Pereira, sempre tão atento e diligente para denunciar as mistificações e desvios da imprensa que não se coadunam com a sua agenda política.

03 agosto, 2007

Estudo confirma que as hormonas não vão à missa nem ligam nenhuma ao Bush

Um estudo desenvolvido por uma equipa da Universidade de Oxford confirma aquilo que já se suspeitava. Os programas de prevenção do contágio da Sida e da gravidez na adolescência que promovem a abstinência sexual são um falhanço completo. Não têm nenhum impacto na idade da primeira relação sexual, no número de parceiros sexuais, nem aumentam a probabilidade dos adolescente terem sexo seguro. Estes programas, que fazem parte da agenda conservadora nos EUA, representam um terço da despesa federal deste país com o combate à Sida desde que Bush chegou ao poder e submeteu a política de saúde pública às convicções religiosas de uma minoria de fanáticos. O falhanço destes programas contrasta com os indicadores positivos dos que recorrem à distribuição e promoção da utilização de preservativos.

21 julho, 2007

Quando o exercício da actividade política esteve mesmo em causa, a ministra da justiça era esta senhora

Paulo Portas vai processar o Estado pelas fugas de informação que têm visado o partido no caso Portucale e dos submarinos, acusando as instituições judiciais de terem sistematicamente violado o segredo de justiça. Sobre Lisboa, nada ou quase nada. Provando que, com Paulo Portas, o despudor e a recusa da assumpção de responsabilidades são a essência da sua vida política, o líder do PP aparece agora muito preocupado com as condições do exercício da oposição em Portugal. Foi esse o comovente resultado da sua reflexão semanal.

Quando essas condições estiveram verdadeiramente em causa, com a fabricação de provas, manipulação de informação sob segredo de justiça - envolvendo o próprio director da PJ – e a instrumentalização da justiça para decapitar o principal partido da oposição, nada se ouviu de Paulo Portas. Pelo contrário, deixem a justiça trabalhar era a palavra de ordem durante os longos meses do processo Casa Pia. Curiosamente, à altura desses factos, Paulo Portas era o número dois do Governo e, no ministério da Justiça, sentava-se uma dirigente do PP por si nomeada.

09 julho, 2007

Momento alto do debate na RTP

Ver o PP e o PNR a discutirem, entre eles, medidas para combater a insegurança. Estavam a entender-se até o PNR começar a criticar Telmo Correia por este querer colocar uma câmara de vídeo em cada esquina. Estaríamos a criar um “big brother”, diz o candidato fascista.

07 julho, 2007

Uma frase que é todo um programa. O do PNR.

“Somos todos filhos de D. Afonso Henriques e vivemos felizes com isso”.
Telmo Correia, candidato do Partido Popular à Câmara Municipal de Lisboa, aos microfones da SIC. 7 de Julho de 2007.

Só quem não tem estado atento à campanha que Telmo Correia está a fazer em Lisboa é que pode pensar que a lamentável xenofobia desta frase é um equívoco. Nada mais falso. A cada dia que passa, e com todas as sondagens a colocarem-no fora da vereação, Telmo Correia não pára de encostar o discurso do Partido Popular às tradicionais bandeiras eleitorais da extrema-direita. Ele são os casamentos gays, o fim da despenalização da droga ou das salas de injecção assistida, os grafiteiros que sujam as paredes ou a mais que ambígua distribuição de pás e vassouras “para limpar a cidade”.

Não é a primeira vez que o PP, sob a direcção de Paulo Portas, recorre ao populismo mais rasteiro e primário para salvar a face num acto eleitoral. Em 2002 foram os ciganos, que "roubavam" o Rendimento Mínimo Garantido. Agora chegámos à purificação da raça. Dêem-lhes tempo.

05 julho, 2007

E se um desconhecido, de repente, lhe disser mal do governo?


A liberdade de expressão, por Carmen Pignatelli, entre os risos de vários dirigentes do Ministério da Saúde.

Felizmente que vivemos em democracia, proclamou ontem a Secretária de Estado da Saúde, antes de nos explicar o que é que isso significa. As críticas ao Governo devem ser feitas "nos locais próprios". Em nossa casa, na rua, ou na esquina do café com os nossos amigos.

E mesmo aí deve imperar o respeitinho. Por determinação do Governo Civil de Braga, o Ministério Público do Tribunal de Guimarães deu origem à abertura de um processo, cuja primeira fase passou pela identificação das pessoas que participaram na manifestação que esperou o Primeiro Ministro, José Sócrates, aquando da reunião do Conselho de Ministros realizada em Guimarães, no passado dia 7 de Outubro. O processo está na fase de audições às pessoas identificadas pela PSP e aos jornalistas que reportaram o acontecimento.

03 julho, 2007

Este homem é um senhor, carago

Um grupo de 53 empresários de Braga promove amanhã um jantar de solidariedade para com o administrador da Bragaparques, Domingos Névoa, por considerar que está a ser "injustamente julgado na praça pública".

Independentemente de qualquer decisão judicial, anunciou um dos promotores do jantar, Domingos Nóvoa "é um homem cujo trabalho merece ser seguido", "como exemplo, por muitos gestores portugueses". Para quem demonstra tanta preocupação com a independência do sistema judicial, este "grupo de amigos" demonstra que já se libertou das amarras processuais que ainda infestam a nossa Justiça, como essas minudências de tentar descobrir se alguém é culpado ou inocente.

De facto, para quê tanta preocupação em tentar descobrir se este homem "que trabalha de sol a sol" mexeu os cordelinhos para comprar as influências necessárias para lesar os lisboetas em mais de 40 milhões de euros? Como os promotores dizem representar 80% do PIB da região, isso deve-nos explicar alguma coisa sobre as práticas empresariais de um distrito que, apesar de dispor do maior número de Ferraris por habitante em todo o mundo, apresenta também a mais elevada taxa de desemprego do país.

Ai já viu, um homem tão sério e tão bem parecido...

...tem cara de estadista, daqueles que já não se vêem.

Uma mini-dose bem servida no Bitoque.